Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Gustavo Lassala faz a apresentação da exposição “Em nome do pixo”, primeira individual de Cripta Djan, pichador paulistano que se lança como artista.

how to quote

LASSALA, Gustavo. Cripta Djan, em nome do pixo. Sobre o pichador que virou artista. Drops, São Paulo, ano 17, n. 110.09, Vitruvius, nov. 2016 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/17.110/6299>.



Djan não é um simples nome artístico. Djan é de batismo, Cripta é o codinome de um grupo. Cripta também é uma marca, um logotipo, um sobrenome que todos os integrantes desse coletivo usam, uma espécie de alcunha que é pretensa e sustentada nas ruas de São Paulo e em espaços de socialização determinados, que rege regras próprias de conduta, à margem da sociedade comum. Djan usa Cripta como nome, pois não é possível dissociá-lo do movimento social paulistano conhecido como Pixação. A atuação nas ruas a partir de preceitos originados há mais de trinta anos, sustentados e aperfeiçoados até hoje, foi a verdadeira escola de Djan. Na falta de uma estrutura social inclusiva e devido à ausência de capital econômico e cultural para superar a sua condição de classe, Djan optou há vinte anos  por aderir a uma organização social delinquente como forma de reduzir a violência simbólica sofrida durante sua infância e início da adolescência.

Djan, com personalidade incomum, detentor de um grande conhecimento prático e teórico sobre a pixação e líder dos grupos nos quais atuou, é, atualmente, o principal responsável pelo processo de legitimação dessa cultura que se situa entre o fenômeno social e estético. O avanço de Djan em lugares até então nunca explorados por pixadores o promoveu ao papel de interlocutor-mediador entre o universo dos pixadores e a sociedade como um todo. Esse processo nem sempre foi pacífico, pois trata-se de adentrar em espaços sociais da cultura dominante, que lhe foram negados desde a infância tanto pelo Estado como pela sociedade.

A história de Djan revela como um jovem transgressor, advindo da periferia, se envolve com a discussão da arte contemporânea sem perder os laços com sua base social. Djan é reconhecido em várias instâncias como pixador e artista, o que torna a sua vivência permeada por tensões, dificultando o seu trânsito no campo da arte. Não fosse o seu contato  com o marchand João C, talvez Djan tivesse apenas explorado as bordas desse campo. Mas, mediante a assessoria de João, em interlocução com o mercado da arte, Djan teve a oportunidade de explorar o habitus absorvido no campo da pixação por meio de aparatos artísticos tradicionais.

A qualidade da obra de Djan, produzida em estúdio, está justamente no contraponto entre as palavras Cripta e Djan: o social e o singular, o habitus e a psique. Djan assume como linguagem um código que o distingue socialmente. Ao usar a letra reta e monocromática da pixação como inspiração, é possível notar as fronteiras entre o desenho e a escrita, a forma e a contraforma, o legível e o ilegível, o certo e o errado.  A natureza de suas composições com base em um estilo tipográfico vernacular, legitimamente brasileiro e contraventor, nos permite questionar os limites da apreciação estética, algo sempre em construção no campo da arte.

nota

NE – Texto de apresentação da exposição “Cripta Djan, em nome do pixo”, com obra e trajetória de Djan Ivson Silva, produção de João Correia, Escritório de Arte Humanar, Rua Brigadeiro Galvão 996, Barra Funda, São Paulo, de 29 de outubro a 27 de novembro de 2016.

sobre o autor

Gustavo Lassala é professor e pesquisador na Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo, Brasil. Doutor em Arquitetura e Urbanismo e Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela mesma instituição, Bacharel em Design pela Universidade São Judas Tadeu e Técnico em Artes Gráficas pelo Senai “Theobaldo De Nigris”. É autor dos livros Pichação não é pixação (Altamira, 2010) e Em nome do pixo (Romano Guerra, no prelo).

Cartaz da exposição. Exposição Cripta Djan, em nome do pixo, curadoria João Correia
Foto Abilio Guerra

Pixo como arte e protesto. Exposição Cripta Djan, em nome do pixo, curadoria João Correia
Foto Abilio Guerra

Reportagem sobre o pixador. Exposição Cripta Djan, em nome do pixo, curadoria João Correia
Foto Abilio Guerra

Pixo como arte e protesto. Exposição Cripta Djan, em nome do pixo, curadoria João Correia
Foto Abilio Guerra

 

comments

110.09 exposição
abstracts
how to quote

languages

original: português

share

110

110.01 pesquisa

Carta ao Ministro Kassab

Em protesto à reforma do MCTIC

Fórum de Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas

110.02 história

Carta para Oscar Niemeyer

Sobre o monumento em Monte Castelo em homenagem aos pracinhas

Francesco Arnoaldi Berti

110.03 paisagismo

Ruínas do Teatro Nacional

Um jardim sem frutos proibidos

Felipe SS Rodrigues

110.04 política

A arte de acumular cargos no Reino da Bélgica

Adson Cristiano Bozzi Ramatis Lima

110.05 publicação

Jayme Campello Fonseca Rodrigues

Um livro que traz uma cápsula do tempo

Hugo Segawa

110.06 homenagem

Paulo Mendes da Rocha, arquiteto

Rafael Antonio Cunha Perrone

110.07 fotografia

Fábio Del Re, Série Morandi

Como transformar objetos em imagens distendidas no tempo

Luísa Kiefer

110.08 crítica

Cegueira e arte

Sobre olhares e escolhas

Carolina Nader

newspaper


© 2000–2020 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided