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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
O Prêmio APCA 2018 – Categoria “Contribuição à cultura brasileira” foi concedido aos arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci, do escritório Brasil Arquitetura.

how to quote

VILLAC, Maria Isabel. Arquitetura como experiência e apropriação. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Contribuição à cultura brasileira”: Brasil Arquitetura / Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci. Drops, São Paulo, ano 20, n. 142.07, Vitruvius, jul. 2019 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/20.142/7422>.



“In place of a hermeneutics we need an erotics of art”
Susan Sontag, 1964

Na década de 1960, anos de efervescência cultural e intelectual, Susan Sontag escreve, entre outros manifestos, o texto Against interpretation” (“Contra a interpretação”, 1964), em recusa às hierarquias de classificação da crítica e reflexões da produção artística e intelectual – que se move entre conteúdo/forma, intelecto/sentimento, dando maior valor ao primeiro termo dos binômios. Contra este estigma da tradição, a ensaísta norte-americana afirma que “a ideia de conteúdo é sobretudo um obstáculo, um aborrecimento [...] e um desprezo declarado pelas aparências” (1).

A redução da obra de arte ao seu conteúdo “domestica a obra, viola a arte”. A obra transparente, “cuja superfície seja tão unificada, tão límpida, [...] que a obra possa ser... o que é”, desobriga nosso intelecto da ansiedade “por interpretar” (2). A vitalidade de uma obra, “cuja mensagem seja direta”, é sua qualidade liberadora, que se ilumina em testemunhos desta condição de autonomia de seus autores em ações e reflexões éticas e estéticas singulares, e se abre à percepção sensorial e, portanto, à experiência.

Na arquitetura conectada com a experiência se estima a intenção de convocar a vida como princípio da genealogia da imaginação na construção da realidade habitável, que vitaliza a forma abstrata. Isto envolve uma antropologia do espaço ligada, diretamente, tanto às decisões espaciais pertinentes ao tema funcional a que se referem como ao que querem abarcar e simbolizar.

O escritório Brasil Arquitetura tem a cultura como raiz. A relação de envolvimento dos arquitetos com o contexto onde seu projeto se insere, sua presença, em ação e reflexão, abre espaço para uma formulação teórica, advinda da expressão de um raciocínio sociocultural contemporâneo, e permite fundamentar o projeto da arquitetura e da cidade na dimensão do uso do espaço, ou seja, de sua apropriação.

A cultura orienta as arquiteturas comprometidas com a realidade onde se inserem e o projeto de espaço que disponibiliza um caminho para os sentidos e para a razão. E esta disponibilidade supera as limitações da resolução de problemas, propõe questões: desperta o reconhecimento de arquiteturas históricas que ambientaram a sociabilidade em um passado remoto ou próximo e seguem na memória como experiência de espaço – seja a arquitetura viril, rude e acolhedora; seja a arquitetura generosa dos espaços compartilhados em coletivo; seja a arquitetura de geometrias essenciais.

Diante da pergunta de como podem os arquitetos incorporar a experiência e dela se apropriar em seus projetos e no processo de projeto e como, a partir desta atitude, pode a teoria renovar-se, a poética da “obra aberta” (3), que investe na cultura, se afirma. Também honra a formação do “arquiteto culto”.

A arquitetura como experiência de espaço realiza uma ação antropológica ao dar valor a “um jeito de corpo, uma maneira de interação com a natureza e o construído, um olhar em perspectiva que norteia o projeto”. A experiência é uma tradição cultural que se reinventa e se atualiza na racionalidade do projeto e na sensibilidade do espaço.

Esse atuar na potencialidade do novo amplia a visibilidade da obra como ação transformadora e como estratégia de emancipação ancorada na exaltação de espaços de conhecimento e prazer. A ação crítica, inquieta e insubmissa, presente no projeto, é uma interrogação que propõe um enfrentamento à opacidade que tolhe a construção de uma democracia social e impede o conhecimento. A valorização da experiência é também uma esperança compartilhada com aqueles que apostam em um projeto de nação que dá valor a um substrato cultural que inclui os hábitos de uma vida simples e, com certeza, a sociabilidade que neles implicam.

notas

NE – Desde 2010, a APCA incorporou os críticos de arquitetura, concedendo anualmente sete prêmios. Em 2018, os críticos Abilio Guerra, Fernando Serapião, Francesco Perrotta-Bosch, Gabriel Kogan, Guilherme Wisnik, Hugo Segawa, Luiz Recamán, Maria Isabel Villac, Nadia Somekh, Renato Anelli foram os responsáveis pela seleção dos premiados. Os artigos dedicados à premiação da modalidade Arquitetura e Urbanismo da APCA 2018 são os seguintes:

RECAMÁN, Luiz; SOMEKH, Nadia. BR Cidades: a reconstrução democrática do espaço urbano. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Urbanidade”. BR Cidades / Ermínia Maricato, Karina Leitão, Paolo Colosso, Carina Serra, João Sette Whitaker, Margaterh Uemura, Lizete Rubano e Celso Carvalho. Drops, São Paulo, ano 19, n. 141.05, Vitruvius, jun. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.141/7384>.

ANELLI, Renato. Exposição Vkhutemas: revolução social e produção serial. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Pesquisa e difusão”. Exposição Vkhutemas / Celso Lima e Neide Jallageas (curadoria e pesquisa), Goma Oficina (comunicação visual e maquetes de arquitetura). Drops, São Paulo, ano 19, n. 141.06, Vitruvius, jun. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.141/7386>.

CAMARGO, Mônica Junqueira de. Rosa Kliass, uma trajetória duplamente exemplar. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Trajetória”. Drops, São Paulo, ano 19, n. 141.07, Vitruvius, jun. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.141/7388>.

PERROTTA-BOSCH, Francesco; WISNIK, Guilherme. Minimod, Mapa Arquitetos. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Inovação tecnológica”. Minimod – Mapa / Luciano Andrades, Matías Carballal, Rochelle Castro, Andrés Gobba, Mauricio López, Silvio Machado. Drops, São Paulo, ano 19, n. 142.05, Vitruvius, jul. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.142/7410>.

VILLAC, Maria Isabel. Arquitetura como experiência e apropriação. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Contribuição à cultura brasileira”: Brasil Arquitetura / Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci. Drops, São Paulo, ano 19, n. 142.07, Vitruvius, jul. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.142/7422>.

KOGAN, Gabriel. Vazio e pensamento, vento e movimento. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Obra brasileira no exterior”: Capela Bienal de Veneza / Carla Juaçaba. Drops, São Paulo, ano 20, n. 143.05, Vitruvius, ago. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/20.143/7457>.

SEGAWA, Hugo. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Melhor obra”: Campus da UFABC / Claudio Libeskind e Sandra Llovet [no prelo].

1
SONTAG, Susan. Against interpretation. And other essays. Londres, Picador, 1996, p. 27; 29. Disponível em: <https://www.academia.edu/39160786/_Susan_Sontag_Against_interpretation_and_other_es_BookZZ.org_>.

2
Idem, ibidem, p. 35; 36.

3
ECO, Umberto (1958). A poética da obra aberta. In: Obra aberta. São Paulo, Perspectiva, 1976, p. 37-66.

sobre a autora

Maria Isabel Villac é arquiteta e urbanista pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Doutorado pela Universitat Politècnica de Catalunya. Pós-Doutorado no IUAV – Istituto Universitario di Architettura de Venezia. Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Como pesquisadora atua principalmente nos seguintes temas: arquitetura e cidade; arquitetura, arte e cultura; arquitetura e cidadania; ensino de arquitetura.

 

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