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drops ISSN 2175-6716

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Carlos Martins, professor do IAU USP São Carlos, comenta a campanha que difunde a ideia que existem “super-salários” na sua universidade, quando na verdade os valores em questão são compatíveis com o que ganham cargos equivalentes do serviço público.

como citar

MARTINS, Carlos A. Ferreira. O cerco à USP. Parte 1 – A cegueira vossa de cada dia. Drops, São Paulo, ano 20, n. 143.03, Vitruvius, ago. 2019 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/20.143/7450>.



A agressão bolsonarista às universidades federais é tão escandalosa que podem fazer esquecer que essa anacrônica batalha contra os espaços de cultura, ciência e tecnologia vem de antes e de outros lados.

A USP, instituição com mais frequência citada como a mais importante da América Latina, tem sido, talvez por isso mesmo, vítima de ataques recorrentes. Nesta semana a grande mídia deu algum destaque à notícia de que a USP foi obrigada a cortar “altos salários” de seus docentes e servidores.

O apoio da opinião pública a medidas como essa é fácil de compreender. Vivemos num ambiente em que juízes, marido e mulher, ganham mais de 9 mil reais de “auxílio moradia” mesmo sendo proprietários de mansão na cidade onde trabalham.

Também fomos expostos nos últimos meses a uma campanha midiática contra os genéricos “privilégios” dos servidores públicos como forma de neutralizar a resistência a uma “reforma” da previdência que não diminuiu privilégios de juízes, promotores, militares ou deputados, mas bateu pesado no lombo dos mais pobres, sejam servidores públicos ou trabalhadores do setor privado.

Por isso cortar “supersalários” só pode ser aplaudido, certo? O problema é que a vida – e a verdade – é sempre mais complexa que o mesquinho maniqueísmo em que estamos imersos nos últimos anos.

Quer ver, leitor? Se os 125 “privilegiados” da USP São Carlos trabalhassem do outro lado da Washington Luís, eles estariam recebendo seus salários de forma absolutamente normal e legal. O que é “supersalário” na USP não é nas universidades federais.

Também estaria dentro da normalidade se em lugar de ser professores na USP fossem juízes ou promotores nos fóruns cível ou criminal da cidade. Ou em qualquer das carreiras do serviço público federal. Se eles fossem delegados da Polícia Federal, auditores da Receita ou um sem número de outros exemplos, seus salários estariam dentro da normalidade e da legalidade.

Está um pouco confuso? Sim, está. Mas prometo que ficará claro nas próximas semanas.

sobre o autor

Carlos A. Ferreira Martins, professor do IAU USP São Carlos, é acusado de receber supersalário. Se trabalhasse na Receita Federal, não seria.

 

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