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drops ISSN 2175-6716

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José Pessoa, professor de arquitetura da UFF, homenageia Italo Camporiorito, da segunda geração de arquitetos modernos brasileiros, membro da equipe que construiu Brasília e, posteriormente, responsável pelo tombamento da nova capital.

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PESSÔA, José. Italo Campofiorito (1933-2020). Falece o arquiteto que tombou Brasília. Drops, São Paulo, ano 20, n. 152.08, Vitruvius, maio 2020 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/20.152/7758>.



Italo Campofiorito nasceu em Paris em 1933 e gostava de contar que nascera na França, porque seus pais, artistas que estavam na Itália graças a um prêmio de viagem concedido pela Escola Nacional de Belas Artes, haviam decidido que quando se aproximasse o nascimento do filho sairiam da Itália, pois não queriam que este nascesse num país fascista. O pai prezava suas origens italianas que ficaram marcadas na escolha do nome do filho, mas principalmente prezava a democracia e a liberdade, inexistentes naquele momento na Itália.

A formação do jovem Italo começou em casa através de seus pais pintores, Hilda e Quirino Campofiorito, pintando os diferentes cantos do Brasil nas férias levavam o fllho para acompanha-los e desenhar. Arquiteto da geração de modernos da década de 1950, formou-se em 1956 tendo como companheiros Glauco Campello, Jaime Zettel, Artur Lício Pontual entre tantos outros. Com o diploma de arquiteto resolve ir estudar arte em Paris com André Chastel.

Não conclui o curso pois resolveu voltar ao Brasil em 1958, decidido em participar da construção de Brasília. Fica lá 12 anos de 1958 a 1970, primeiro no escritório de Oscar Niemeyer até 1961, quando vai para Inglaterra estudar o novo urbanismo das cidades satélites inglesas, e depois ao regressar assume a chefia do Serviço de Urbanismo Metropolitano de Brasília e o cargo de professor no curso de graduação e da pioneira pós-graduação em arquitetura e urbanismo da UnB.

Em 1962 fica responsável por acompanhar Le Corbusier na sua vinda ao Brasil para projetar a embaixada da França no Brasil. No final dos anos 1970 integra o grupo de implantação do Corredor Cultural no Rio de Janeiro, aliando uma visão inovadora de Patrimônio e de Urbanismo. A partir de 1979 assume também a direção do Patrimônio Histórico e Artístico do Inepac. Nas duas instâncias trabalha para valorizar aquilo que era até então considerado o “sem importância”, a arquitetura do cotidiano, a cidade pulsando entre o velho e o novo.

Era extraordinário para nós, estudantes e jovens arquitetos nos anos 1980, ouvir de um dos construtores de Brasília falar sobre o valor da rua corredor, da praça, da cidade tradicional, das lições de Jane Jacobs. No Inepac com Darcy Ribeiro como Secretário de Cultura, Italo vai promover o tombamento da paisagem, da inventiva arquitetura vernacular e da cultura afro-brasileira representadas na orla de Cabo Frio, na Casa da Flor em São Pedro d’Aldeia e na Pedra do Sal no Rio de Janeiro.

O arquiteto que passou a criticar o urbanismo moderno também seria o responsável por um tombamento absolutamente inovador do Plano Piloto de Brasília, primeiro pela Unesco (1987), depois pelo Iphan (1990), subvertendo a ideia tradicional do tombamento de um conjunto de monumentos, pela proteção das escalas de Brasília, aquilo que definia o conceito moderno da cidade. Foi presidente do Iphan e diretor do Patrimônio Cultural de Niterói.

Além de tudo isto, Italo foi personagem e narrador das histórias e bastidores da arquitetura moderna brasileira. São inúmeras as histórias. As impressões de Le Corbusier da arquitetura no Rio de Janeiro no início da década de 1960. A construção de Brasília e a maquete de Portinari do painel nunca realizado no Congresso Nacional. A arquitetura brasileira perdeu hoje Italo Campofiorito. O seu legado permanece mas vamos sentir muita falta da saborosa narrativa das suas histórias.

sobre o autor

José Pessoa, arquiteto, Professor Titular da Universidade Federal Fluminense – UFF.

Italo Campofiorito e Le Corbusier, aeroporto de Brasília, 1962
Foto divulgação [website CAU/RJ]

 

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