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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Esse artigo busca, por meio da análise de filmes, artigos e reportagens entender e demonstrar como as variantes culturais são representadas na cinematografia, demonstrando a importância de tal fato para diferentes culturas dentro do país.

english
This article seeks, through the analysis of films, articles and reports to understand and demonstrate how cultural variants are represented in cinematography, demonstrating the importance of this fact for different cultures within the country.

español
Este artículo busca a través del análisis de la película, artículos e informes entender y demostrar como variantes culturales están representados en cinematografía, demostrando la importancia de tal hecho para diferentes culturas dentro del país.

how to quote

SANTOS, Gabriel Augusto de Souza; LUCAS, Larissa Rodrigues; COIMBRA, Thalya Alves. A representação das variantes culturais na cinematografia. Drops, São Paulo, ano 20, n. 154.06, Vitruvius, jul. 2020 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/20.154/7819>.



O cinema vem sendo uma das atividades culturais mais procuradas pelos brasileiros, segundo a pesquisa feita pela consultoria JLeiva Cultura e Esporte (1), em parceria com o Datafolha, o que mostra a importância desse meio em reproduzir a diversidade cultural. Em relação ao cinema brasileiro, nota-se que, devido a abundância cultural presente no país, existem numerosas formas de retratar essa pluralidade.

Com isso, o trabalho em questão baseia-se na representação das variantes culturais por meio de obras cinematográficas, como definido no tema deste artigo, tendo o objetivo de entender e demonstrar como essa interpretação cultural é feita. Dessa forma, mostrar-se como essa variedade existente no país pode ser manifestada e assimilada.

As estatísticas da Ancine, divulgadas em 2018 e relacionadas às obras cinematográficas no cenário nacional, apresentam um aumento em relação ao ano anterior, que são: 185 títulos brasileiros lançados, sendo o recorde de lançamentos entre 2009 e 2018; 22 títulos produzidos em regime de coprodução com outros países, como Portugal, Argentina, Alemanha, França e Espanha; 24 milhões de ingressos vendidos, com uma participação do público de 14,8%, a maior já registrada na américa latina, superando a Argentina e Colômbia (2).

Conforme a matéria escrita por Nathalia Durval e divulgada na Folha de S. Paulo (3), uma pesquisa apresentada pela JLeiva Cultura e Esporte e pelo Datafolha, 10.630 pessoas das doze capitais mais populosas do Brasil foram entrevistadas a respeito de seus hábitos de frequência em atividades culturais. De todas as respostas, com 64% dos votos, o cinema foi o mais citado; em segundo lugar, com 46%, estão os vários tipos shows e, em seguida, festas populares com 42%. Com relação a atividades pagas e gratuitas, 32% dos entrevistados revelaram que preferem atividades gratuitas e 40% preferem mais atividades gratuitas do que pagas.

Visto que a sétima arte é muito consumida pelos brasileiros e, segundo as palavras de Dudley Andrew em Cinema & Culture (4), o cinema é uma forma de voltar ao passado e uma de suas funções é ser um reflexo da cultura. Contudo, a representação do Brasil nas telonas não é feita seguindo as diferentes culturas de cada região do país. Dentro da cinematografia brasileira nota-se a grande quantidade de filmes relacionados ao sertão brasileiro em razão de suas histórias e costumes únicos, porém existem diferentes culturas a serem retratadas que ainda não tiveram a chance de aparecer nas telas do cinema.

Por muitos anos o Brasil teve fama de “o país do futebol”, samba, mulheres bonitas, violência, pobreza e corrupção, e na maioria das vezes o cinema contribuiu para que essa imagem fosse fortificada. Cansada dos filmes clichês onde o Brasil é retratado, a cineasta Lucia Murat fez um documentário, chamado “Olhar Estrangeiro” (5), na qual interroga os principais produtores, diretores, roteiristas e atores de filmes que tinham o Brasil como tema. Ao indagá-los a respeito da ideia que tinham do país, obteve respostas como exótico, festeiro e que havia cenas frequentes de mulheres de topless.

Murat também entrevistou moradores dos países em que o documentário foi gravado, França, Suécia e Estados Unidos, e recebeu as seguintes frases: “sei que o Brasil é forte no futebol”, “muitas mulheres na praia, usando biquíni e de topless”, “futebol, amor, romance e selva”, “eu não sei se eles trabalham, eles estão sempre de férias”, “eles fazem festas o tempo todo”.

O cinema brasileiro contribuiu muito para a criação desses estereótipos. Franthiesco Ballerini (6), discute os tipos de filme que fortaleceram a visão distorcida que os estrangeiros têm do Brasil. A começar pela ascensão da Carmem Miranda em Hollywood, formando a imagem de país das bananas e do samba. Anos depois o país foi marcado como ignorante e pobre pelo filme “O pagador de promessas”, escrito por Anselmo Duarte, onde teve um grande alcance no exterior, sendo premiado no festival de Cannes em 1962.

Dessa forma, percebe-se que o Brasil é um país muito rico, com inúmeras variantes culturais e isto precisa ser mostrado para o país e para o mundo, sendo que, uma das formas de isso acontecer é por meio do cinema. Essa representação do povo brasileiro é importante também para que haja uma mudança da visão estrangeira acerca do país, para que o todos percebam que o Brasil não se resume a futebol, samba e mulheres de topless. Toda essa dinâmica começa com o consumo das produções nacionais pelos próprios brasileiros, assim, fomentando o cinema nacional e aumentando a quantidade e a qualidade das produções. Mas para que haja essa mudança da perspectiva estrangeira, deve haver uma representação das pessoas e das culturas de forma fiel à realidade e não de forma caricata, reforçando os estereótipos.

Portanto, é de suma importância entender a necessidade de apoiar o cinema nacional, dado que as produções cinematográficas são a forma de consumo cultural mais escolhida entre a população brasileira. Da mesma forma, é fundamental verificar como que esses valores nacionais estão sendo transmitidos cinematograficamente, desse modo, a população, a sétima arte e de forma mais geral, a cultura do Brasil conseguirá ser mais reconhecida e compreendida.

notas

1
JLeiva é uma consultoria especializada em cultura, esporte e investimento social, que atende empresas, produtores, instituições públicas e privadas. Realiza também pesquisas e estudos nesses segmentos.

2
LIMA, Adriana (Org.). Anuário Estatístico do Cinema Brasileiro 2018. Brasília, Ministério da Cidadania, Ancine, 7a edição, 2019 <https://bit.ly/2OAIsdA>.

3
DURVAL, Nathalia. Se tiver de pagar por cultura, brasileiro dá preferência ao cinema. Folha de S.Paulo, São Paulo, 24 jun. 2018 <https://bit.ly/3jhkkur>. Acesso em: 24 mar. 2020.

4
ANDREW, Dudley. Cinema & Culture. Humanities, v. 6, n. 4, Washington, DC, ago. 1985, p. 24-25 <https://bit.ly/2B8J0UQ>.

5
“Olhar Estrangeiro”, direção de Lúcia Murat. Brasil, Europa Filmes, 2005, 70’.

6
BALLERINI, Franthiesco. Cinema brasileiro no século 21: reflexões de cineastas, produtores, distribuidores, exibidores, artistas, críticos e legisladores sobre os rumos da cinematografia nacional. São Paulo, Summus, 2012.

sobre os autores

Gabriel Augusto de Souza Santos, Larissa Rodrigues Lucas e Thalya Alves Coimbra são estudantes do 3º período de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS.

 

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