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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Este trabalho discute a importância dos mapas temáticos para a compreensão e combate à pandemia do Covid-19, a partir de casos passados e dos novos caminhos para a obtenção de dados cartográficos precisos e confiáveis.

english
This paper discusses the importance of thematic maps for understanding and combating the Covid-19 pandemic, based on past cases and new ways to obtain accurate and reliable cartographic data.

español
Este artículo analiza la importancia de los mapas temáticos para comprender y combatir la pandemia de Covid-19, en base a casos pasados ​​y nuevas formas de obtener datos cartográficos precisos y confiables.

how to quote

CASTRO, Alexandre Augusto Bezerra da Cunha; FREITAS, Paulo Vitor Nascimento de; MONTEIRO, Thereza Rachel Rodrigues. Os mapas e a pandemia de Covid-19. Drops, São Paulo, ano 20, n. 156.07, Vitruvius, set. 2020 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/20.156/7891>.



A sociedade atravessa em 2020 uma das maiores crises sanitárias desde a pandemia da gripe espanhola, em 1918. A pandemia do Covid-19 tem demandado esforço científico de diversas áreas do conhecimento, e governos locais e nacionais juntam esforços para encontrar possíveis soluções, enquanto vacinas não são desenvolvidas. Nesse contexto, qual o papel exercido pelos mapas temáticos na pandemia de Covid-19?

A resposta a essa questão pode ser dada revisitando a terceira pandemia de cólera, entre os anos de 1846 e 1863. A cidade de Londres passava por uma das maiores epidemias de cólera registradas até então, que, até meados da década de 1860, causaria mais de 10 mil mortes na cidade. Na época, acreditava-se que a doença era causada pela poluição ou ar contaminado, segundo a teoria miasmática (1), o que tornavam incertas as possíveis causas do aparecimento e da proliferação da doença.

A mudança de paradigmas em relação às causas da cólera e o papel dos mapas no combate à doença ocorrem com a publicação de dois artigos pelo médico John Snow, nos anos de 1849 e 1855, que credita ao abastecimento de água o surto de cólera que ocorreu no bairro de Soho, em 1854 (2).

Para comprovar sua teoria, ele elaborou um mapa temático, que contém a localização de todos os óbitos por cólera no local, bem como as fontes de abastecimento de água. O padrão espacial indicava um número maior de mortes perto de uma determinada fonte, e se conseguiu o desligamento desta fonte de abastecimento com a ajuda do reverendo Henry Whitehead. O resultado do teste empírico foi a redução dos óbitos por cólera, o que comprovou que a doença estava ligada à contaminação daquela fonte. O mapa elaborado serviu tanto para a comprovação, baseada em evidências, como para tomadas de decisão em relação ao planejamento sanitário (3).

Observa-se, portanto, a importância da espacialização de fenômenos sociais para compreender melhor as doenças, bem como de possíveis ações de mitigação que possam ser tomadas. O acervo de publicações existentes que atualmente focam no mapeamento das doenças (4) traz a importância de produtos cartográficos não somente enquanto imagens ilustrativas, mas como produtos de processamento de dados e informações coletadas in loco ou remotamente. Atualmente, com o suporte de geotecnologias, o mapeamento de patologias tem-se mostrado eficiente para analisar a evolução da doença, seus focos de contaminação e possíveis relações com outros fatores e fenômenos (5).

Esse mapeamento das diversas patologias deve estar associado à compreensão do espaço geográfico em sua totalidade, sendo uma ferramenta do estudo desse fenômeno, e não uma finalidade. A ocorrência de patologias está também associada às questões sociais e econômicas e principalmente aos fluxos e fixos que, segundo Milton Santos (6), expressam a realidade geográfica. Ao se referir a patologias como a Covid-19 e a influenza H1N1, consideram-se os processos de fluxos migratórios no mundo, e, para entendê-los, muitas vezes um mapa, em diferentes escalas, proporciona uma leitura prévia da situação, para um planejamento que promova ações efetivas em relação à saúde de todos. Com isso, o processo de monitoramento espacial da ocorrência de patologias em diversas escalas faz parte da história da humanidade e continua a subsidiar ações mitigadoras.

A pandemia do Covid-19 pode ser a mais bem monitorada e informada da história da humanidade, e isto não é um exagero: nunca antes houve tantas tecnologias e ferramentas disponíveis para se compreender como a doença está avançando, e com publicações científicas já disponíveis que ajudam a elucidar, aos poucos, o comportamento da doença tanto no corpo humano como nas cidades (7).

No Brasil, o trabalho realizado por Wesley Cota (8) tem contribuído na compilação dos de casos e óbitos por Covid-19, que são informados oficialmente pelo Ministério da Saúde e pelas secretarias de saúde dos estados. Os dados, que possuem os geocódigos dos estados e municípios (9), podem ser associados a uma base de dados georreferenciada, permitindo assim a sua espacialização. A plataforma serve, portanto, como um dos principais repositórios de informações do Covid-19 no país e fonte para a elaboração de diversos mapas temáticos, disponibilizados gratuitamente na rede mundial de computadores, tendo sido utilizado inclusive para subsidiar tomadas de decisão.

Além disso, diversos municípios têm utilizado e disponibilizado para a população plataformas com dados sobre a pandemia, inclusive mapas. Percebe-se que, seja realizado por iniciativas voluntárias, seja realizado no contexto de ações de Estado, a construção de plataformas de dados integradas, de caráter geográfico, nas diversas escalas, contribui para subsidiar tomadas de decisão e, também, para manter a população informada.

A ciência ainda progride para tentar compreender melhor o Covid-19, suas causas e efeitos sobre a sociedade. Os mapas temáticos elaborados podem ajudar gestores públicos e tomadores de decisão a identificar os melhores passos a serem dados na situação, o que ajuda a salvar vidas e traz benefícios a outras áreas da sociedade impactadas com a doença, a exemplo da economia. A cartografia hoje desempenha papel fundamental na difusão de conhecimento técnico-científico entre especialistas e leigos, e trazem consigo a lição de que a ciência é a principal atividade humana capaz de dar à sociedade a possibilidade de um futuro melhor.

notas

1
MASTROMAURO, Giovana Carla. Surtos epidêmicos, teoria miasmática e teoria bacteriológica: instrumentos de intervenção nos comportamentos dos habitantes da cidade do século XIX e início do XX. Anais do Simpósio Nacional de História. São Paulo, ANPUH, 2011.

2
CAMERON, Donald.; JONES, Ian. John Snow, the Broad Street Pump and Modern Epidemiology. International Journal of Epidemiology, v.12, n. 4, 1984, p. 393-396.

3
JOHNSON, Steve. The Ghost Map: A Street, an Epidemic and the Hidden Power of Urban Networks. Londres, Penguin Books, 2008.

4
HEMPEL, Sandra. The Atlas of Disease: Mapping Deadly Epidemics and Contagion from the Plague to the Zika Virus. Londres, White Lion Publishing, 2018.

5
LAI, Poh-Chin; SO, Fun-Mun; CHAN, Ka-Wing. Spatial Epidemiological Approaches in Disease Mapping and Analysis. Boca Raton, CRC Press, 2009.

6
SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4ª edição. São Paulo, Edusp, 2006.

7
OSLER, Sidney. Coronavirus Outbreak: All the Secrets Revealed About the Covid-19 Pandemic. A Complete Rational Guide of its Evolution, Expansion, Symptoms and First Defense. Independently Published, 2020.

8
Number of confirmed cases of COVID-19 in Brazil. Universidade Federal de Viçosa <https://covid19br.wcota.me/en/>

9
Geocódigos são cógidos numéricos, criados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), utilizados para a identificação de unidades político-administrativas no Brasil, a exemplo de estados, municípios e setores censitários.

sobre os autores

Alexandre Augusto Bezerra da Cunha Castro é graduado em Arquitetura e Urbanismo (UFPB), Mestre em Engenharia Urbana e Ambiental – PPGEUA-UFPB, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – PPGAU-UFRN.

Paulo Vitor Nascimento de Freitas é bacharel em Geografia e Licenciado em Geografia na UFPB, especialista em Gestão de Cidades e Planejamento Urbano na UCAM e mestre em Engenharia Civil e Ambiental no PPGECAM UFPB.

Thereza Rachel Rodrigues Monteiro é graduada em Tecnologia em Geoprocessamento no IFPB, graduanda em Licenciatura em Geografia na EAD Cruzeiro do Sul, mestre em Geografia no PPGG UFPB), e doutora em Geografia no PPGE UFRN).

 

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