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entrevista ISSN 2175-6708

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português
Nesta entrevista Fredy Massad e Alicia Guerrero Yeste conversam com Toyo Ito sobre tradição, projetos e tecnologia

como citar

MASSAD, Fredy; GUERRERO YESTE, Alicia. Toyo Ito. Entrevista, São Paulo, ano 01, n. 004.01, Vitruvius, out. 2000 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/01.004/3348>.


 

Egg of Winds

Entrevista com Toyo Ito

 Fredy Massad y Alicia G. Yeste

Temos tentado introduzir uma infinidade de novos termos, sugerir diversas analogias que nos permitissem explicar ou simplemente fabricar argumentos complexos para descrever situações ou fatos dentro da pesquisa e da criação arquitetônica. Tudo isto é, foi e continuará sendo sobejamente positivo. Se temos que nos situarmos de um lado, será do lado dos que tentam introduzir variações a uma linguagem que muitas vezes se mostra empobrecida. Estes esforços são sempre válidos e seu compromisso com a Arquitetura não são discutíveis (queremos enriquecer e não tirar o valor produzido pelas novas propostas); o enriquecimento através da pesquisa, da colocação em dúvida dos valores antes dados como absolutos e não discutíveis. É o melhor que se pode passar à arquitetura e aos arquitetos.

Mas se os discursos estão construídos por premissas forçadas de argumentos pomposos e retumbantes – quando se entopem de palavras desnecessárias, quando se importam conceitos pertencentes a outras disciplinas e se tergiversa seu significado ou se desconhece profundamente o tema com o qual se busca uma analogia, confundindo desta forma o receptor da mensagem e criando uma imagem falsa de conhecimento – é preferível e muito mais honesto, aceitar a dúvida do desconhecimento, navegando mares nunca dantes navegados sem saber nem de onde se sai nem até onde se vai e sem querer chegar a nenhuma conclusão, nem a resultados verdadeiros ou falsos, mas sim adentrarmos na busca difícil da contradição. Neste caso, provocamos um engano proposital, porém desligado do vedetismo e da ostentação.

Se percebe como uma espécie de horror vazio, um pavor autêntico a poder aparecer como um completo ignorante de seu tempo; a não entendê-lo; a não ser capaz de defini-lo, talvez a não poder sentir que – intelectualmente – se é um dos que sabem controlá-lo. Mas a realidade é que só convinha destrinchar alguma das palavras em uso para ver cair muitos sancta sanctorum erigidos com o "infame abuso das palavras" (citando a Yourcenar), a quantidade de palavras que se usam sem se ter refletido nem experimentado.

"Os artistas de hoje olham menos e pensam mais. O resultado é um suposto academicismo de vanguarda. Temos que viver o instante em plenitude, só assim alguém pode estar no que faz." Henri Cartier-Bresson

A capacidade para deixarmo-nos cair com intensidade em sensações e pensamentos é um talento. É a capacidade que possuem as pessoas com autêntica e lúcida consciência de sua experiência, seu ser e seu conhecimento, as que são capazes de entregar-se sem reservas, sem temores ou vanidades a todas as dimensões da realidade. Humberto Maturana sustenta que as ilusões não são erros, mas que fornam parte de nossa experiência, de nosso saber e conhecimento e, portanto, de nossa realidade. Submeter-se à experiência é um transe. Poderíamos acreditar que extraímos nossas únicas certezas de estados de mente em que o fluxo da percepção se acelera e um processo de compreensão entre o exterior e o interior (difícil de descrever) que se recorda vagamente como um momento muito confuso no qual se sentiu lúcido e que não tem nada que ver com o processo de criar pensamentos para a retórica.

Toyo Ito exala, em nossa imagem retrospectiva, muitíssima inteligência – suporte de seu talento e invejável lucidez cuja reflexão é produto, em partes iguais, de idéias procedentes de sua imaginação e de sua percepção/consciência da realidade. É um homem que manifesta plenamente sua intensidade. Suas palavras são cheias; suas explicações, concisas.

Durante a entrevista mencionou também a Laurie Anderson e aspectos da milenar tradição japonesa como influências. Integrado no fluxo de uma metrópole que vive no limite do presente, Toyo Ito desenvolve na atualidade – ajudado pela tecnologia – uma arquitetura inteligente e sensível, que faz patente a transição para uma realidade feita de muitos conceitos novos e a consciência de haver estado ocupando este lugar durante muitos milhões de anos e que poderia considerar-se essencialmente (por sua essência) japonesa.

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