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interview ISSN 2175-6708

abstracts

português
Os arquitetos portugueses Nuno e José Mateus, titulares do escritório ARX Portugal, comentam suas obras, referências arquitetônicas e o processo de trabalho da dupla

english
Portuguese architects and Jose and Nuno Mateus, office holders of ARX Portugal, comment their works, architectural references and work process of this team

español
Los arquitectos portugueses Nuno y José Mateus, titulares del estudio ARX Portugal, comentan sus obras, referencias arquitectónicas y el proceso de trabajo de los dos

how to quote

JORDÃO, Pedro; MENDES, Rui. José Mateus e Nuno Mateus (ARX). Entrevista, São Paulo, ano 05, n. 020.03, Vitruvius, out. 2004 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/05.020/3321>.


Museu Marítimo de Ílhavo, Portugal
Foto Daniel Malhão [fonte: ARX Portugal, 1992]

ARX Portugal – uma natureza própria
Pedro Jordão & Rui Mendes

ARX ou ARchiteXture. arquitetura, Texto, Textura. A gênese dos ARX Portugal está nestas palavras, no que representam. Uma arquitetura de investigação, de experimentações. Uma arquitetura que questiona e arrisca respostas. Em gestos que, longe de serem automáticos, se regem por princípios e preocupações permanentes.

Nuno e José Mateus são já nomes incontornáveis da arquitetura portuguesa. Têm ainda o valor acrescido de terem conquistado um espaço muito próprio, de terem introduzido no panorama nacional uma nova forma de ver/fazer arquitetura.

Em 1990, fundam o ARX Portugal, na sala de um apartamento de Lisboa. Mas esse é o segundo capítulo. Há uma primeira parte em que Nuno Mateus, na altura a trabalhar no atelier de Peter Eisenman em Nova Iorque, funda o ARX, juntamente com outros arquitetos de diversas nacionalidades, no que começa por ser uma estrutura internacional, com ramificações em Nova Iorque, Berlim, Kobe e Lisboa. Actualmente, a relação dos ARX Portugal com a estrutura internacional é muito ténue. De resto, o ARX sempre foi, na sua essência, um projeto da parceria portuguesa. Mantêm-se, no entanto, os princípios.

Architexture ou a não hierarquização do território, a perfeita equivalência entre cada elemento. Ou a corporização de um pensamento complexo, fruto de múltiplas questões. Também (sempre) uma eterna insatisfação. Exploram uma natureza própria, procurando identificar estratégias de desenho que consigam ser específicas de cada projeto. Cada projeto tem a sua essência muito particular, a sua história, as suas vontades. A sistematização está nas questões e não nas respostas.

Tal não significa que cada projeto seja um acto isolado. As experiências anteriores são tomadas como suporte para novas investigações. Dão-nos pistas necessárias para a análise. A especificidade de um projeto e justificada pelas diferentes questões levantadas pelo programa, pelo contexto, pelo cliente, pelas referências importadas. Essa estratégia parece estar para alem da esfera da linguagem e das formas. Por detrás das aparências plásticas – associadas por alguns ao Desconstrutivismo – existe a idéia de um espaço dinâmico, de referencias inter-disciplinares, de um método muito particular.

Começaram à distância, estando José Mateus em Lisboa, quando desenvolveram o projeto da casa de Melides para os seus pais. 0 projeto é elaborado como se de uma laranja se tratasse – Nuno Mateus trabalha a forma da laranja, isto é, estuda as formas, as vibrações, o significado formal, enquanto que José a descasca, ou seja, testa o programa, analisa o significado dos espaços, trabalha o desenho, o layout.

0 projeto de Berlim, com Daniel Libeskind é outra experiência modeladora. À rigorosa disciplina herdada por Nuno Mateus do seu trabalho com Peter Eisenman, acrescenta-se agora um sentido de absoluta liberdade, de sonho e Utopia. De ambos, retiram um forte simbolismo presente na metodologia de projeto. 0 uso de referências aparentemente arbitrárias. Linhas imaginárias, malhas, analogias.

Na arquitetura ARX, a crítica não se traduz numa resolução injustificada, gratuita. Busca possibilidades no vasto campo de acção da arbitrariedade. Um tradicionalista diria que a importação de uma referência, como as malhas utilizadas no projeto para Berlim, nomeadamente a malha do poder, é arbitrária, não tem razão aparente de existir. Esta opinião só é possível por não encontrar no elemento poder uma justificação para o desenho urbano daí decorrente. A arbitrariedade olha atenta para todos os valores do mundo. Despe-os do seu vestuário, formado pelas opiniões e conceitos aprisionados no passado. Só a memória os conhece.

Em projetos como o Pavilhão de Portugal na Expo 92 ou os Laboratórios do Pólo de Mitra da Universidade de Évora, essa carga simbólica é óbvia. 0 projeto para a Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa é outro caso paradigmático. A falta de referências no local, criaram o seu próprio contexto. Fundiram a idéia de motricidade, a partir do uso de crono fotografias, a idéia de um novo mapa de Lisboa, simbólico, ligando pontos diferentes de imaginários comuns – Poder, Mito, Morte, Fogo, Água, História, Corpo, Memória, Natureza e Dinheiro. Desenhado, este novo território torna-se real. 0 projeto parte daqui. De resto, a sua relação com o lugar parte sempre de um esforço de o reestruturar, através da importação de referências várias.

Há também um processo de projeto claro. A estratégia de desenho aparece quando trabalham a percepção, o estímulo no movimento ou a malha e o diagrama, assim como o objeto, elemento importado, ou ainda uma forma no espaço, sempre fragmentada, tanto pelo deslize como pela fractura, sempre estudando tensões, procurando-as principalmente na dicotomia estabilidade/instabilidade. Procuram ainda incluir no processo, o mais cedo e rigorosamente possível, a parte construtiva.

E há ainda a maquete, a primeira construção, a primeira resistência ao tempo; abranda-o. É um elemento que facilmente dissipa dúvidas. Por isso a sua produção incessante, do início ao fim. Começam com maquetes embrionárias, onde estudam a vibração de uma massa que ainda não é volume definido. Recorrem, depois, a construção de sucessivas maquetes para extraírem uma síntese da idéia formal. Por fim, as de carácter mais construtivo, aproximando-se do real. Por vezes, a maquete final, para comunicar.

0 Museu Marítimo de Ílhavo permanece, para já, como a mais significativa obra dos ARX. É um edifício de grande beleza, virado para dentro, não sem antes reestruturar o lugar onde se insere. 0 espelho de água do pátio, o elemento mais íntimo, faz a ligação entre os volumes justapostos, destacando-se a sala das exposições temporárias, um volume autónomo que parece flutuar.

Entre as principais obras construídas encontram-se ainda, o projeto expositivo para o Pavilhão do Conhecimento dos Mares, na Expo 98, a Central Digital de Porto Salvo e as casas Rosa, Grândola e Romeirão. Esta ultima, em construção, e um belíssimo exemplo de fusão entre construção e paisagem, parecendo romper do solo, debruçando-se sobre o horizonte. Neste momento trabalham em diversos projetos, dos quais se destacam a Biblioteca Municipal de Ílhavo, a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, e os Centros Regionais de Sangue de Coimbra e do Porto.

Os ARX têm o valor próprio de quem experimenta. De quem não se acomoda a convenções. Antes procuram libertar-se do que parece ser já um dado adquirido. Tentam ir para além do espaço cartesiano, buscam novas materialidades. Criam novas condicionantes ao projeto, não hesitam em sonhar de novo o que Ihes é imposto. E conseguem partir de uma rara complexidade para uma simplicidade evidente. É uma arquitetura de camadas, que se acumula em obras belas e genuínas. Sempre com a mesma consciência – a “arquitetura deve responder ao seu contexto e exprimir as preocupações dos seus tempos” (1).

notas

1
LEVRAT, Frederic. ARX Portugal – uma segunda natureza. Lisboa, Blau, 1991, p. 7.

Projeto Expositivo para o Pavilhão do Conhecimento dos Mares, Expo 98 Lisboa, Portugal
Foto Daniel Malhão [fonte: ARX Portugal, 1992]

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