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interview ISSN 2175-6708

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Nesta entrevista o arquiteto e historiador Jean-Louis Cohen fala sobre projetos urbanos,Cité de l'architecture et du patrimoine à Chaillot, do qual é coordenador

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RETTO JR., Adalberto. Jean-Louis Cohen. Entrevista, São Paulo, ano 06, n. 024.01, Vitruvius, out. 2005 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/06.024/3312>.


Capa da Revista In Extenso – Italophilie, 1984

Entrevista com Jean-Louis Cohen

Adalberto da Silva Retto Júnior

Adalberto da Silva Retto Júnior: Jean–Pierre Gaudin durante o Congresso “Camillo Sitte e i suoi interpreti (1990)” afirma que “não foram tanto as teorias sobre arte de Camillo Sitte a terem um eco no debate metodológico francês, mas muito mais as considerações que derivam relativas à impostação do plano”. Por outro lado, o senhor publicou há pouco mais de vinte anos um livro dedicado aos ensinamentos da L'italophilie (1984) que relata os resultados de uma longa pesquisa sobre as relações entre a arquitetura italiana e a francesa no período anterior e posterior à guerra. Com isso, o senhor ilumina os elementos “fortes” da arquitetura italiana dos anos sessenta e setenta: os estudos sobre arquitetura urbana ligados à história e ao projeto; a capacidade de reconstruir a “fratura” entre o arquiteto e os intelectuais, através de uma discussão comum sobre linguagem, forma e sobre o significado da cidade contemporânea.

Qual é a verdadeira contribuição de Sitte para o debate urbano francês?

Jean-Louis Cohen: Creio ser difícil passar desapercebido sobre o impacto do Städtebau de Sitte nas várias gerações de arquitetos e urbanistas franceses. Sem dúvida a versão original alemã de 1889 foi pouco lida. Não se pode dizer o mesmo da tradução francesa de Camille Martin de quem se sabe, graças aos estudos de Carlos Roberto Monteiro de Andrade publicados na Genèses em 1996, quanto ela difere do texto publicado em Viena, visto que um capítulo lhe é adicionado e, que o conjunto da ilustração, tão importante nos conceitos de Sitte, foi modificado. O livro de Martin cujo alcance é bem mais geral, visto que estende a reflexão à cidade "dans son vêtement quotidien", e ao espaço da rua, tem sido lido por várias gerações de arquitetos e historiadores do começo de século ao segundo pós-guerra. Na opinião dos práticos, ele é uma das fontes implícitas dos projetos de reconstrução das regiões “devastadas” durante a guerra de 1914-18, de certas planos de cidades coloniais e de muitos planos de “aménagement”, de extensão e de embelezamento advindos da lei de 1919.

Quanto ao aspecto metodológico, embora a referência direta seja às vezes, um pouco dissimulada pelo antigermanismo comum após 1918, o discurso de Sitte transparece nas reflexões sobre a articulação dos espaços públicos ora diretamente ora indiretamente, por exemplo, através da versão francesa (de tradução livre) de Raymond Unwin Town-Planing in Practice, cujo prefácio é escrito por Leon Jaussely. O curso ministrado por ele no Institut d'Urbanisme de l'Université de Paris e o de seu sucessor Jacques Gréber tomam idéias de Sitte de uma forma muito pouco dissimulada. O mesmo acontece para a Histoire de l'urbanisme de Pierre Lavedan. No Qu'est ce que l'urbanisme?, Lavedan evoca em 1926 Sitte, “arquiteto apaixonado pela arte da Idade Média”, como uma das referências para os urbanistas que “reagindo contra o americanismo” proporiam “traçados sinuosos para todas as vias que não são artérias de grande tráfego”. Adiante, no mesmo livro, e de alcance explicitamente metodológico que fundamenta sua História como forma de explicitar seus pressupostos, vê em Sitte um “escritor preocupado acima de tudo com estética” o que não o impedirá de ter um comportamento comparativo semelhante ao seu. Historiador da Arte, Lavedan define antes de tudo a cidade como uma obra de arte, à maneira de Sitte, como revelam as pesquisas de Isabelle Grudet.

Deixo de lado evidentemente os escritos de Le Corbusier de quem o manuscrito “La construction des villes”, elaborado a partir de 1910 apóia-se essencialmente nas posições de Sitte, a ponto de copiar figuras do Städtebau e no capítulo conclusivo intitulado "moyens utiles", é um eco da "réforme à introduire" que fecha o livro do vienense. Mas ele renegará o "chemin des ânes" nos seus artigos do l'Esprit Nouveau publicados em 1925 no Urbanisme. O grande crítico de Le Corbusier que é Gaston Bardet toma, ele também posições diferentes a respeito de Sitte, mas com uma figura inversa. No seu primeiro artigo "Naissance de l'urbanisme" publicado em 1934, Bardet nota que o estudo das cidades da Idade-Média “não podia conduzir, como pensou Camilo Sitte e sua escola, à realizações vivas”. Ele julga o Städtebau como um livro “muito penetrante em si, mas muito perigoso nas tentativas de aplicação”. Tornando a publicar em 1946 este texto precoce no Pierre sur pierre, ele observa seu “erro” e escreve daí em diante que “Camilo Sitte via corretamente e que foi sua escola que caiu no pastiche”.

Vê-se, pois o quanto Sitte mobilizou a atenção dos historiadores e dos arquitetos aderindo às mais opostas posições durante a primeira metade do século vinte.

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