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interview ISSN 2175-6708

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português
Fábio Duarte entrevista Emanuel Dimas de Melo Pimenta, arquiteto, músico e artista plástico brasileiro radicado em Portugal. Ele fala das relações entre arquitetura e computadores e também de seu trânsito por outros meios e linguagens, especialmente fotog

english
Fabio Duarte interviews Emanuel Dimas de Melo Pimenta, architect, musician and artist based in Portugal. He speaks about the relationship between architecture and computers as well as their transit through other means and languages, especially photography

español
Fábio Duarte entrevista a Emanuel Dimas de Melo Pimenta, arquitecto, músico y artista plástico brasileño radicado en Portugal. Él habla de las relaciones entre arquitectura y ordenadores y también de su tránsito por otros medios y lenguajes, especialmente

how to quote

DUARTE, Fábio. Emanuel Dimas de Melo Pimenta. Entrevista, São Paulo, ano 07, n. 025.02, Vitruvius, jan. 2006 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/07.025/3307>.


Zyklus, 2005

Fábio Duarte: Nos últimos anos alguns arquitetos que exploram a arquitetura virtual há décadas, como o grupo holandês Nox, construíram alguns de seus projetos. Quando é pessoalmente necessário para o arquiteto ligado à arquitetura virtual torná-la concreta? Quais os principais desafios dessa passagem?

Emanuel Dimas de Melo Pimenta: Essa é uma questão importante. De fato, é incompreensível um arquiteto permanecer aprisionado no mundo teórico – tal como aconteceu com Mies Van Der Rohe, por exemplo. Cada época tem o seu signo. Eu admiro muito o Lars Spuybroek e já ajudei a divulgar os seus trabalhos. Na Holanda, até há pouco tempo, o Estado tinha verbas para a realização de projetos mais avançados de arquitetura – e foi assim que ele, entre outros, conseguiu fazer as suas obras. Em muitos outros países existe a ilusão de que tudo deve ser competição todo o tempo. A Teoria dos Jogos mostra-nos como isso é absurdo. Há dois tipos de jogos – os chamados jogos de soma zero e os jogos de soma não-zero. Os primeiros são aqueles caracterizados por perdedores e ganhadores. Os jogos de futebol, o jogo de xadrez, o basquete e tantos outros são jogos de soma zero. Nos jogos de soma não-zero, não há nem ganhadores nem perdedores. É a colaboração. Esta entrevista é um jogo de soma não-zero. Uma floresta é um ambiente de jogo de soma zero. Aquilo a que chamamos de civilização é caracterizado pelo tempo livre, pela reflexão e pela colaboração – elementos essenciais do jogo de soma não-zero. Muito do mundo da política, mergulhado na corrupção, em praticamente todos os países do mundo, tem um discurso da livre competição, da disputa permanente – que pode funcionar bem em termos de mercado, mas que é simplesmente desastroso em termos de arte. Arte não funciona por Seleção Natural.

FD: Por que você coloca Mies Van Der Rohe aprisionado no mundo teórico?

EDMP: Os primeiros trabalhos de Mies Van Der Rohe – que constituiriam o seu desenho – datam da década de 1920, quando ele tinha cerca de trinta e cinco anos de idade. Apenas a partir daí é que ele encontrou “espaço” para trabalhar livremente. Mesmo assim, até os seus quarenta e cinco anos de idade, ele apenas apresentou quatro ou cinco projetos – muitas vezes peças para concursos. Mas será nessa fase, quando já tinha quarenta e três anos de idade, em 1929, que lançaria o genial pavilhão de Barcelona – um dos seus primeiros projetos! O mesmo aconteceu com Peter Eisenmam, que durante muito tempo ganhou a vida como professor. Por outro lado, aconteceu algo semelhante com o próprio Le Corbusier. No final da vida, Le Corbusier foi colocado no ostracismo. Foi julgado por muitos – e tem sido até hoje – como uma espécie de promotor de uma arquitetura sem alma, quando na verdade o seu espírito sempre foi o da experimentação. Durante o tempo em que ficou sem trabalho, ele continuou refletindo, criando numa espécie de mundo paralelo. Foi isso o que tornou possível a criação do fabuloso Pavilhão Philips, quando estava perto da morte. Arquitetura é permanente exercício. Borromini também foi colocado no ostracismo. Ele reagiu criando um inusitado microcosmo do planeta na sua própria casa. Juntou, durante anos, elementos de todas as culturas que podia conhecer. Antes, eram os reis, déspotas, imperadores – muitas vezes – as barreiras ou o suporte para a livre criação. Hoje é a burocracia, a média, a mediocridade, a híper cultura. Ainda não vivemos um mundo de liberdade.

FD: A Bienal de Arquitetura de São Paulo de 2005 acaba em dezembro. Por que ainda é mais fácil ver as explorações contemporâneas em arquitetura e tecnologia, principalmente arquitetura virtual, em festivais de arte do que em eventos de arquitetura?

EDMP: Porque o mundo está dominado por uma gigantesca e tentacular burocracia. Uma espécie de paralisia mental, de atordoamento gerado pela emergência de uma híper cultura. Tudo passou a ser dominado pelo entretenimento, pelas grandes médias – que etimologicamente geram aquilo a que chamamos de mediocridade. As pessoas nem têm, em geral, uma idéia muito bem definida do que está para além do entretenimento. Tudo passou a ser automaticamente chamado de arte – relembrando, em algum sentido, quando a própria idéia de arte não existia. Antes arte era habilidade através da palavra technoi. Hoje, todos passaram a estar mergulhados em entretenimento. Cultura é o instrumento por excelência contra a Natureza – Freud elaborou essa tese para explicar o que era religião. Se não tivéssemos um instrumento de desconstrução da cultura, não pelo conteúdo, mas pela estrutura, pelo processo, viveríamos aprisionados num conjunto imutável de regras e normas. Esse instrumento é a arte. A arte é sempre generativa, ela incorpora todo o conhecimento. Quando não temos arte, o outro instrumento de crítica da cultura é o crime. O crime é, essencialmente, de natureza degenerativa. É o que temos hoje no mundo, em geral. Muito crime e pouca arte. Assim, salvo raras exceções, a arquitetura tornou-se entretenimento. Pode parecer que eu sou um pessimista. Mas não! Pelo contrário! Embora tudo isso é o que eu acredito estar acontecendo, temos novos desafios e é isso que é importante.

Jardins, 1990

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