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entrevista ISSN 2175-6708

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SEDREZ, Maycon; CELANI, Gabriela. A forma não importa. Entrevista com Arnold Walz. Entrevista, São Paulo, ano 15, n. 058.03, Vitruvius, jun. 2014 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/15.058/5208>.


Maycon Sedrez: Você poderia falar um pouco sobre o interesse dos arquitetos em projetar e fabricar formas complexas?

Arnold Walz: Primeiramente, eles querem ser especiais, e existem diferentes tipos de arquitetos. Por exemplo, a sra. Hadid. Ela tem um estilo pessoal e ela quer resolver qualquer problema com isso. Se você ouvir uma palestra do Patrick Schumacher (seu sócio), ele gostaria de planejar cidades inteiras no estilo Hadid, o que acho particularmente um exagero. No outro extremo temos Renzo Piano, pois eu acho que ele tem uma atitude totalmente inocente em cada novo projeto. Ele tem uma abordagem diferente para cada novo projeto.

Falando de maneira geral, eu acho que isto que chamam de arquitetura Blob, como foi chamado no começo desta fase, que teve início aproximadamente no final do século passado, foi um tipo de reação à rigidez do projeto de arquitetura. Nós queremos algo totalmente diferente. E eu também acredito que esta fase terá um fim, pois agora nós temos não apenas edifícios de alta qualidade, mas também um monte de edifícios mal projetados. Se você olhar o skyline de uma cidade, está indo nessa direção... para que? Onde está a qualidade desse tipo de perfil na cidade? Eu acho que isto irá diminuir e agora é um problema nosso direcionar essa experiência para uma arquitetura mais cotidiana. Como eu disse, aumentar a liberdade do projeto; você não é obrigado a projetar edifícios em forma de caixas por conta de aspectos financeiros ou de produção. Eu tenho a sensação que muitos arquitetos se rendem à indústria da construção civil, pois adotando essa tipologia eles podem construir de uma maneira mais econômica, rápida e confiável. Mas para escapar disso, se você deseja projetar algo especial, se torna muito difícil. Nós devemos tentar usar essa experiência e aproximá-la da arquitetura comum; isso significa que nós temos que desenhar novos processos construtivos e novas maneiras de fabricar elementos construtivos e então montá-los em um edifício.

Gabriela Celani: Você já mencionou Renzo Piano, quem mais são seus clientes?

AW: Bem, nos últimos anos nós trabalhamos com Zaha Hadid, Foster and Partners, Herzog and De Meuron...

GC: Apenas arquitetos celebridades [starchitects]?

AW: A maioria, mas nem sempre, por exemplo, a fachada do hotel InterContinental em Davos. O edifício foi originalmente projetado por Matteo Thun, mas por alguma razção ele deixou o projeto. O arquiteto que finalizou este projeto não era muito conhecido, mas ele veio com uma boa ideia para a fachada.

OIKIOS GmbH, Hotel Intercontinental, Davos, 2013
Foto Mboesch [Wikimedia Commons]

GC: Você mencionou que a maioria dos seus clientes são arquitetos celebridades. Por que nós, ou um arquiteto comum, ou um arquiteto no Brasil, devemos nos preocupar com a fabricação digital de edifícios?

AW: Se o arquiteto quer continuar a construir arquitetura Blob, certamente essa não é uma razão. Eu gosto de ambientes intensos, quando eu entro em um novo espaço e fico impressionado pela atmosfera, pela luz, pela acústica, as cores ou o que seja. Há muitas casas com uma fachada muito interessante, mas quando você entra é apenas um espaço comum, com quartos comuns e janelas comuns. Para mim é muito tedioso. Se você voltar na história da arquitetura, na cultura da construção, havia muita coisa fantástica acontecendo. A questão que nós devemos apontar agora para a geração mais jovem é: como você quer viver? Estamos olhando para a arquitetura como um investimento de curto prazo? Você constrói uma casa e, 10 ou 15 anos depois, todos dizem vamos construir algo novo. Ou nós deveríamos tentar desenvolver um estilo de arquitetura com melhor qualidade, que tenha a chance de durar algumas gerações? Veja todos estes edifícios do final do século XIX, que ainda são as habitações preferidas no centro das cidades grandes. Os apartamentos são um pouco maiores, têm pé-direito e janelas maiores. E você pode fazer o que quiser, você pode fazer um escritório, estudantes podem dividir o espaço, alguém pode ter seu próprio negócio nesses apartamentos. Por quê? Apenas porque eles são um pouco maiores e não são altamente otimizados como eles pensam que a arquitetura deve ser hoje. E outro aspecto é que apesar desses edifícios serem individualmente diferentes eles se encaixam, eles formam um conjunto, e eles criam uma atmosfera única, uma atmosfera forte. Nós temos muitos desses edifícios em cidades europeias que não foram destruídos durante a guerra. As pessoas gostam de ir lá, pois é muito intenso caminhar nestas calçadas apesar das casas serem diferentes. Há uma limitação de material, cores a coisas desse tipo, mas hoje em dia você tem uma seleção infinita de materiais, cores e texturas... Essas cidades não são homogêneas, cada casa é basicamente algo único. Claro que você pode ter um ponto de vista e perceber que elas têm algo em comum, depende da maneira como você olhar para elas.

GC: Como você acha que podemos obter esse resultado na cidade, com esse tipo de linguagem arquitetônica subjacente, que não é monótona e ao mesmo tempo não é confusa... É uma questão de regulação urbana ou formação dos arquitetos?

AW: Certamente ambos, eu gostaria de separar. Eu diria, primeiramente os arquitetos fazem o interior do edifício como o cliente deseja, mas quanto chega na fachada e nas proporções externas eles têm uma responsabilidade com a vizinhança. Este é o motivo pelo qual eu gosto de trocar experiências com a nova geração, pois é o futuro deles, não o meu, descobrir se eles têm alguma ideia ou visão de como eles querem viver no futuro. Se eles dizem que querem isto ou aquilo, eu certamente encontro uma maneira de produzir que seja economicamente justa no futuro. Mas eu não sei o que poderia ser. O que deveria ser diferente de como é hoje?

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