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entrevista ISSN 2175-6708

sinopses

português
A entrevista tematiza o ensino de Projeto de Arquitetura na FAUP: o que considera-se possível de ser ensinado na disciplina, qual o papel da criatividade, como ocorre a relação entre alunos e professores e a recepção do estudante no meio profissional.

english
The interview´s theme is the teaching of “Architecture Project” in FAUP: what is considered possible to be teached, what is the role of creativity, how is the relationship between teachers and students, and their reception in the professional environment.

español
La entrevista tiene como tema el ensino de Proyecto de Arquitectura de FAUP: lo que se considera posible de ser enseñado, cual es el papel de la criatividad, como ocurre la relación entre los maestros y estudiantes, y su entrada en el medio profesional.

como citar

COELHO KOTCHETKOFF, Júlia. Entrevista com Maria Madalena Pinto da Silva. O ensino de projeto de arquitetura. Entrevista, São Paulo, ano 16, n. 063.01, Vitruvius, jul. 2015 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/16.063/5540>.


Relação do edifício com o entorno, em maquete - Trabalho de Rita Câncio para a disciplina de Projeto 2 na FAUP.


Júlia Kotchetkoff: Enquanto docente e arquiteto, você acredita ser possível ensinar projeto? E o que pode ser ensinado?

Maria Madalena Pinto da Silva: Possível é, porque ensina-se. Os alunos, quando entram, entram com uma determinada formação, uma capacidade de fazer, e quando saem essa capacidade é melhor. Portanto alguma coisa ficou, alguma coisa foi apreendida, ou aprendida, ou ensinada. Outro dia (Aula Magna de Paulo Mendes da Rocha, com o tema “Arquitetura, Cidade, Natureza”, realizada em São Carlos por meio da IAU-USP), Paulo Mendes da Rocha dizia que arquitetura não se ensina, aprende-se. Não sei se é verdade, quer dizer, quando se aprende é porque alguém ensinou, agora como é que se ensina? O que acho que isto quer dizer é que não há uma metodologia rigorosa de ensino de arquitetura, não há uma sebenta (apostila), um tratado em que se diga “ensina-se arquitetura assim”.

Eu dou aulas há 25 anos, e para além de atualmente também dar aulas em doutoramento e pós graduação, dei sempre “Projeto” do segundo ano. E mesmo quando sou regente da disciplina, que os regentes de projeto da nossa faculdade normalmente não têm turma, dou aulas e tenho turma. Porque o que mais me encanta é mesmo a relação entre professor e aluno, e a maneira com que se vê o projeto nascer e ser desenvolvido, portanto, quando se diz que o projeto “não se ensina, aprende-se”, o que eu acho que se está a tentar dizer, é que não há uma forma de ensinar projeto. Grassi tem uma frase que eu cito muitas vezes aos alunos, onde diz que o mais importante não é ensinar os alunos a fazer belos projetos, é pô-los a pensar. E uma das coisas mais importantes, não é só pra quem ensina projeto, é pra quem ensina qualquer coisa, é pôr as outras pessoas a pensarem, questionarem, se interrogarem. Em projeto, não há, eu penso, receitas, portanto não há formas ortodoxas, rigorosas, unidirecionais de fazer. Mas há um modo, dentro de um processo maiêutico, que é de extrair do aluno aquilo que ele realmente pode ser, no qual ele começa a perceber o que é que pode genuinamente fazer. Vou me recorrer doutra frase (de Gaudí), que um dos meus orientadores do doutoramento, Carlos Martí Aris, recorria-se muitas vezes, que diz que a ciência aprende-se com princípios, e a arte, entre as quais a arquitetura, com exemplos. Eu acho fundamental dar exemplos aos alunos porque eles conseguem fazer analogias, ter afinidades com o que estão a fazer, sendo que a história da arquitetura são os exemplos da arquitetura. Portanto, busca-se sempre informar os alunos, mas não de uma maneira desinteressada ou acumulativa: sempre em função daquilo que é questionado, dos problemas que têm. Tenta-se exemplificar sempre, porque é mais fácil perceber-se as coisas, e é mais fácil perceber inclusive o próprio projeto, quando se começa a relacionar com outros afins ou análogos.

Relação do edifício com o entorno, em desenho - Trabalho de Rita Câncio para a disciplina de Projeto 2 na FAUP.

O professor de Projeto deve fornecer informações que ajudem o aluno a superar os problemas sucessivos que vão sendo colocados. Problemas muito precisos e específicos que despois de identificados e avaliados serão resolvidos através da aplicação crítica e selectiva de uma solução escolhida entre as várias possíveis. Esta capacidade de eleição ou escolha é fundamental na aprendizagem, traduz uma forma de conhecimento crítico que importa sedimentar. O mais importante é que o aluno descubra a sua própria maneira de começar a ver a arquitetura e, ao mesmo tempo, a perceber como é que a formas se criam, porque arquitetura cria formas, faz espaço. Para isso é importante também pedir aos alunos para investigarem, começarem a ver com que arquitetos ou com que obras da arquitetura, é que se identificam e porquê. Porque esta procura de identificação, de verificação, também ajuda a perceber o ato de

projetar, contribuindo para a sua evolução. Portanto, o ensinar projeto passa por ter um entendimento do que é a arquitetura. E a arquitetura primeiro é um ato social, mas a arquitectura cria formas, produz espaço. Fernando Távora dizia que o arquiteto era fazedor de espaço e criador de felicidade. Netse sentido, o arquiteto, como sempre foi dito na nossa escola, não é um especialista. Não é um especialista mas é-lhe exigido a capacidade de perceber que o importante é uma interdisciplinaridade que una várias áreas, várias pessoas, várias matérias, contribuindo ele próprio com o seu próprio saber.

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