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interview ISSN 2175-6708

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John Gero, pesquisador de ciência da computação e da arquitetura, concedeu entrevista à arquiteta Gabriela Izar sobre seu método analítico de estudo morfológico, que se aproxima em certa medida dos estudos formais precursores do CAD.

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IZAR DOS SANTOS, Gabriela. Entrevista com John Gero. Entrevista, São Paulo, ano 17, n. 067.01, Vitruvius, set. 2016 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/17.067/6209>.


John Gero na 16º conferência CAAD Futures. São Paulo, 10 de julho de 2015
Foto Daniel Martinez [website CAAD Futures 2015 FEC Unicamp]


Gabriela Izar: Professor Gero, se separássemos o campo do design em três subáreas, ou fases – da criação, da produção e da representação – seria possível considerar que seu trabalho é muito mais relacionado à primeira fase, a da criação, quando o computador sequer está ligado mas o designer já está projetando?

John Gero: Há uma série de premissas por trás do que você está dizendo que requerem exame. Em primeiro lugar, penso que dividir o processo do projetar dessa forma acarreta em perder algumas ideias muito importantes, incluindo a de criatividade, que é diferente de criação, uma vez que a criação ocorre em qualquer situação, logo, não dizemos que somos criativos no início e depois deixamos de ser criativos. Essa é a primeira questão. Há uma interação entre pensar e fazer, então quando você fala de produzir coisas, isso faz parte de projetar e de desenhar, que é a produção, e envolve a interação com as ideias. A separação da criação – a criação, a produção e a documentação – das ideias, suas externalizações, tudo isso é parte de um processo abrangente e, por isso, eu não o vejo dividido desse modo. A segunda questão refere-se à noção de que computadores estão totalmente separados de tudo isso. Não estou certo sobre isso também; na verdade, discordo dessa ideia. Não acho que computadores tenham ideias. Você pode escrever programas que os fazem produzir as ideias, mas esses programas, por exemplo, programas por analogia, geram ideias potenciais, não pensadas ainda, logo, por que não usar o computador quando se está tentando ter ideias? Discordo da noção de que a criação é algo que precede o uso de ferramentas, e acho que a noção de ferramenta também é interessante. Penso que existem dois eixos pelos quais você pode descrever os efeitos das ferramentas: um deles é pensar em ferramentas como aprimoramentos do que você faz, tornando tudo mais rápido, melhor e mais fácil; ou como uma extensão, uma ampliação, que permite fazer coisas que você não pensaria em fazer sem o uso delas. Isso não quer dizer que você não poderia fazer algo sem a ferramenta, embora em alguns casos possa significar isso também.

Então, para mim a parte interessante da computação dentro do design não é a de produzir a representação da forma, ou a representação de todas as coisas estruturais, mas a possibilidade de me ampliar como ser humano, me permitindo realizar coisas que eu não realizaria ou que talvez não pudessem ser realizadas sem ela, e isso coloca as coisas em outro patamar. Quando falamos sobre CAD, não me refiro ao desenho assistido por computador, em que o desenho é a representação de uma ideia satisfatoriamente configurada. É claro que precisamos disso também, mas para mim essa não é a parte interessante; a parte interessante é que essa máquina (o computador), profundamente diferente de qualquer máquina já inventada, tem a capacidade de nos permitir pensar mais do que poderíamos sem ela. Nós realizamos isso o tempo todo ou pelo menos muito frequentemente, porque a máquina tem características singulares, quais sejam: elas operam com símbolos, nós traduzimos as ideias em símbolos e os transmitimos novamente em ideias, e algo surpreendente acontece, porque quando nós manipulamos os símbolos e os traduzimos de volta em ideias humanas, é como se o mundo parecesse assim (sic), embora o mundo não seja feito de símbolos, o mundo é feito de bits ou átomos, e nós atribuímos símbolos a ele, lhe atribuímos significados. Então há esse diálogo realmente interessante entre os humanos, e ninguém sabe de fato como eles pensam. Eles (humanos) pensam em símbolos? Pensam usando noções que ainda não chegamos a compreender? E a máquina pode ser produzida para parecer como se estivéssemos manipulando símbolos, que é o que acontece com os computadores: eles não desenham, na verdade fazem alguma outra coisa e você pode fazer com que eles pareçam estar desenhando, você pode fazê-los desenhar. Há algo muito diferente no uso dessa ferramenta se comparado com o uso da prancheta, porque uma prancheta não manipula símbolos, ela não faz nada (sic). Uma prancheta é apenas um caminho mais eficiente de realizar o que você já realizava antes, e você também pode usar um computador assim, apenas como um caminho mais eficiente para fazer o que já vinha fazendo. Mas o interessante é usá-lo para lhe permitir fazer algo que você não fazia antes. Essa, para mim, é a base subjacente a todo esse conteúdo que é interessante.

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