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interview ISSN 2175-6708

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John Gero, pesquisador de ciência da computação e da arquitetura, concedeu entrevista à arquiteta Gabriela Izar sobre seu método analítico de estudo morfológico, que se aproxima em certa medida dos estudos formais precursores do CAD.

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IZAR DOS SANTOS, Gabriela. Entrevista com John Gero. Entrevista, São Paulo, ano 17, n. 067.01, Vitruvius, set. 2016 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/17.067/6209>.


John Gero. Representação “classe dois” dos nós de uma grade (matriz) sobreposta à planta baixa de uma catedral românica de 1030 a.C.
Cortesia de John Gero [GERO, J. Measuring the information content of architectural plans]


Gabriela Izar: Seu discurso sustenta a ideia de que o design é um campo autônomo de pesquisa e de atividade. Haveria diferença entre o design na arte e na arquitetura?

John Gero: Você deve ter cautela porque artistas fazem algo que designers não necessariamente fazem, designers fazem coisas que artistas não necessariamente fazem, mas eles também realizam coisas aparentemente semelhantes.

GI: Uma vez que todos esses processos envolvem projetar, o design não estaria presente em ambas as disciplinas?

JG: Deixe-me dizer a diferença. Artistas frequentemente fazem experimentações para um fim em si mesmo. Designers trabalham para clientes que têm requisitos. Eles podem realizar experimentações, mas nunca fazem isso para um fim em si mesmo. Eles podem fazê-lo porque querem conhecer mais. O trabalho do qual o artista participa envolve explorar e dar peso e significação a essa experimentação. Designers exploram, mas sempre têm como objetivo fazer algo que tem a ver com um cliente.

GI: Mas também pode ser que esse cliente não exista. Por exemplo, em uma palestra intitulada “Computação corporificada” (Embodied computation, CAAD Futures, 2015), Axel Kilian (Universidade de Princeton) apresentou vários exemplos de experimentos sobre materiais e materialidades que, a priori, não têm fim prático.

JG: Eles estavam explorando, estavam ampliando o conhecimento.

GI: Aquilo poderia ser considerado um trabalho de design?

JG: Aquilo é parte do design, mas não é projetar propriamente dito. É como uma pesquisar, como descobrir coisas. Aquilo é uma parte de tudo o que corresponde a projetar, mas projetar não é uma atividade de investigação ou uma extensão do conhecimento. Projetar é uma atividade que inicia a partir das intenções e requisitos do cliente, e termina com a entrega de algo a esse cliente, que lhe paga por isso e depois diz adeus.

GI: Então o trabalho do designer seria orientado funcionalmente?

JG: Bem, isso é um pouco redutor, mas sim. Acho que o objetivo de projetar é pegar os requisitos do cliente e produzir representações daquilo que você gerou, que são devolvidas ao cliente.

GI: Se o cliente for um papa da renascença, por exemplo, seus requisitos são eminentemente simbólicos...

JG: Sim, então você tem que produzir algo que é muito simbólico. (O cliente) não precisa ser o papa do renascimento, pode ser a IBM ou a Google, (que) diria ao arquiteto: “Eu quero um edifício que simbolize o impulso e a abertura da Google”. É o mesmo que o Papa dizer: "Eu quero que você honre Deus ou ‘Em meu retrato quero que você me honre e a Deus”. Como você realiza isso? A Google tem os mesmos requisitos, mas não te solicita (honrar) Deus, mas honrar Google, e o edifício reflete o ethos e as intenções da Google. Nesse sentido, não há diferença.

GI: Então não haveria nenhuma diferença em seus propósitos transcendentais?

JG: Geralmente as pessoas não buscam isso. Ao procurar um arquiteto para projetar uma casa você não diz: “Eu quero essa casa para simbolizar o modo como eu vivo”. Geralmente você só diz: “Eu quero construir uma casa para que minha vida seja do jeito que eu quero que seja, com os espaços que eu ocupo”, mas algumas pessoas que ganharam muito dinheiro repentinamente dizem: “Eu quero o edifício para mostrar o quão bem sucedido sou”.

GI: Ou talvez o cliente pergunte: “Eu quero que você projete um novo modo de viver para mim”. Logo esse cliente não teria pré-requisitos.

GI: Finalmente, eu lhe pediria uma nota aos estudantes de arquitetura que estão iniciando no trabalho do design.

JG: Há algo que é diferente para um estudante e para um designer. Aprender a ser um designer é diferente de ser um designer, porque o que é realmente significativo para quem quer aprender é ser curioso. Se você não é curioso, nunca se tornará muito interessante. E o que significa curiosidade? Curiosidade significa descobrir coisas que não lhe ocorriam ser interessantes. Se você está procurando por alguma coisa, talvez ache o que encontrou interessante, mas curiosidade é descobrir coisas que você não esperava serem interessantes e então expandir, e isso nunca termina.

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