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interview ISSN 2175-6708

abstracts

português
Entrevista realizada com os arquitetos Héctor Vigliecca e Neli Shimizu, em 23 jul. 2018 em seu escritório em São Paulo, e complementada por Vigliecca em Recife, na Universidade Federal de Pernambuco em 04 out. 2018.

english
Interview with architects Héctor Vigliecca and Neli Shimizu, on July 23th 2018 in his office in São Paulo, and complemented by Vigliecca in Recife, at the Universidade Federal de Pernambuco on Oct 04 2018.

español
Entrevista a los arquitectos Héctor Vigliecca y Neli Shimizu, el 23 jul. 2018 en su oficina en São Paulo, y complementada por Vigliecca en Recife, en la Universidade Federal de Pernambuco el 4 de oct. 2018.

how to quote

MOREIRA, Fernando Diniz; ALMEIDA, Giselle Cristina Cantalice de. Infiltrando urbanidade: a produção de habitação social de Vigliecca & Associados. Entrevista com Héctor Vigliecca e Neli Shimizu. Entrevista, São Paulo, ano 20, n. 079.01, Vitruvius, jul. 2019 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/20.079/7400>.


Conjunto Habitacional Rio das Pedras, São Paulo, Vigliecca & Associados, 1991-2003
Foto Andres Otero [Escritório Vigliecca & Associados]


Fernando Diniz Moreira / Giselle Cristina Cantalice de Almeida: Como conciliar os interesses do capital imobiliário, em áreas valorizadas, e a habitação social, que geralmente precisa ser subsidiada? A habitação social precisa mesmo de subsídios?

Héctor Vigliecca: Bom, habitação social também pode ser construída a partir de iniciativa privada. Sempre existem regras e financiamentos que se adequem a esse tipo de financiamento, mas eu acredito que a grande ação sobre habitação social precisa vir do Estado, porque essa é a única maneira de você mudar um paradigma. No nosso contexto, esse raciocínio só pode ser feito por um Estado que se propõe a fazer uma transformação. Isso não vai acontecer nunca a partir de uma iniciativa privada. Isso não quer dizer que a iniciativa privada não pode entrar em planos que o governo estabelece. Portanto, eu acredito que a iniciativa pública é fundamental. Se falamos de habitação social e cidade, a iniciativa pública tem imensa responsabilidade, pois ela deve definir o que tem que ser feito, como tem que ser feito e por que tem que ser feito. Enfim, isso é uma coisa que a gente sempre fala que o Minha Casa Minha Vida é uma operação extraordinária do ponto de vista quantitativo: atingiu três milhões de habitações, mas só fez porcaria. Infelizmente, o Brasil perdeu uma grande oportunidade histórica de repensar a questão da habitação, repensar o que significa urbanidade, para repensar tudo! Mas não aconteceu nada, não houve mudança no ponto de vista tecnológico, não houve mudança do ponto de vista conceitual do que é cidade e do que é habitar, não houve mudança de nada, nem conceitual nem em termos de métodos de construção. Aquele foi o momento de repensar as coisas e a obrigação do governo deveria ter promovido essa transformação. Era a grande oportunidade que o Brasil perdeu! Primeiro os arquitetos e urbanistas ficaram fora do processo, que foi conduzido pelas construtoras. Isso é uma coisa muito triste. Nós tentamos fazer habitação social quando fizemos nesse esquema de financiamento, tudo isso através da prefeitura. Nós ganhamos uma licitação e tivemos uma boa acolhida na Prefeitura. Fizemos um projeto muito grande, mas as obras estão paradas e não sei se vão terminá-las. Nosso futuro agora é de vocês. Porque o meu já acabou.

Conjunto Habitacional Rio das Pedras, São Paulo, Vigliecca & Associados, 1991-2003
Foto Andres Otero [Escritório Vigliecca & Associados]

FDM/GCCA: Tendo em vista o caso do Parque Novo Santo Amaro V, que virtudes e problemas emergem quando os edifícios são construídos em uma área de urbanização precária? O caso de gerar urbanidade em zonas de “não-cidade”?

HV: Bom, não era uma área de favela, era uma área urbanizada, não 100% urbanizada, mas que tinha grandes entraves de infraestrutura. Essa urbanização foi feita por empresas que loteavam áreas aprovadas pela prefeitura. Tinham até locais com boas casas, mas nós tínhamos um problema grande que era a total ausência de áreas de lazer e cultura. Você constrói em um ponto pequeno, constrói um espaço de lazer, um parque, uma nascente, por exemplo. Você transforma aquela área, em uma área disputada. Quando se inaugurou aquela área ela foi literalmente invadida pelo bairro inteiro. O pessoal começou a fazer festas à noite, os moradores não gostaram e foram aos poucos fechando os acessos, transformando em condomínio privado, o que era justamente para não ser feito. Então isso foi um tiro que saiu pela culatra, mas nós achamos que isso de qualquer maneira, foi um projeto denuncia: um projeto que denuncia aos outros habitantes da área como poderiam ter sido melhor as coisas, como é bom ter uma área com verde, com nascente, com parque, como ter conexões mais fáceis através dos vales. Isso mostra como em um pequeno lugar você pode conseguir essas coisas. Então se tivéssemos vários lugares que tivessem parques e áreas de lazer não teria ocorrido a invasão/ocupação daquelas pessoas que estão no entorno daqueles lugares. Tínhamos até propostas em que essa introdução de urbanidade acontecia em vários lugares. Eram aqueles lugares que poderiam contaminar a área.

FDM/GCCA: Tendo em vista a trajetória de projetos de habitação popular produzidas pelo escritório, foi possível identificar diferentes modalidades de políticas de incentivo. Por exemplo, o Rio das Pedras-Vila Mara foi pelo sistema de mutirão e autogestão; no Vila dos Idosos o interesse e iniciativa partiu da comunidade; o caso do Parque Novo Santo Amaro nasceu em parceria com a prefeitura e ainda pode-se acrescentar as novas demandas do MCMV. Falem-nos a respeito de como essas diferentes modalidades interferem e desafiam a prática projetual deste tipo de conjuntos.

HV: Para nós, todos os projetos, independentemente da modalidade, sempre são desafiantes, mas nós também temos que levar as particularidades de cada modalidade em consideração. Quando fizemos na modalidade mutirão nós trabalhamos com lote bem dimensionado, mas isso não tem mudado muito a maneira nossa forma de projetar. Pensamos no projeto e na cidade, enfim.

Neli Shimizu: A gente faz o projeto, pensamos a arquitetura e o desenho urbano e depois vamos adaptando conforme as diretrizes. Ela não vai influenciar de forma decisiva.

HV: Em relação aos projetos que fizemos, quando se trata de habitação você cuida do projeto para fazê-lo pré-fabricado, para fazer o bloco, com alguns sistemas. Bom, agora estamos fazendo prédios em altura, não? Porque agora se aceita colocar elevadores. Agora em trabalhos com mutirão, fazer prédios com elevadores é muito mais complexo. Então, cada modalidade tem suas particularidades.

Conjunto Habitacional Rio das Pedras, São Paulo, Vigliecca & Associados, 1991-2003
Imagem divulgação [Escritório Vigliecca & Associados]

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