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my city ISSN 1982-9922

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MOREIRA, Pedro. Arquitetura honoris causa. Oportunismo político ou ignorância cultural? Minha Cidade, São Paulo, ano 01, n. 004.01, Vitruvius, nov. 2000 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/01.004/2101>.


Embaixada do Reino Unido Michael Wilford & Partner, London, Stuttgart
Foto Peter Cook, Londres [Revista Bauwelt n° 37/00]


Embaixada do Brasil. Pysall, Starenberg & Partner, Berlim
Foto Pedro Moreira

Embaixadas Escandinavas (Dinamarca, Finlândia, Noruega, Islândia e Suécia) Conceito urbanístico: Berger + Parkkinen, Vienna. Arquitetos: Nielsen.Nielsen & Nielsen, Aarhus, Dinamarca; VIIVA Arkkitehtuuri OY, Helsinki, Finlândia; Palmar Kristmundson, Reykj
Foto Jan Ouwerkerk, Berlim [Revista Bauwelt n° 42/99]

Embaixadas Escandinavas, detalhe
Foto Pedro Moreira

Embaixada do México Teodoro Gonzales de León, Francisco Cerrano, México
Foto Pedro Moreira

Ministério das Relações Exteriores da Alemanha Müller & Reimann, Berlim
Foto Andreas Muhs, Berlim [Revista Bauwelt n° 5/00]

 
Inauguração da nova Embaixada do Brasil em Berlim

No dia 5 de outubro de 2000 foi inaugurada, com a presença do Sr. Presidente da República, a nova Embaixada do Brasil na Alemanha. Trata-se de uma das maiores representações do país, junto a um de seus principais parceiros internacionais.

Com a reunificação da Alemanha em 1990 e decisão da transferência da Capital Federal para Berlim a maioria dos países viu-se confrontada com a pergunta "como melhor representar-se ?" Berlim, o maior canteiro de obras da Europa, vem sendo há dez anos reestruturada e reassume seu papel enquanto terceira metrópole européia. Contando com a participação de profissionais do mundo todo, a cidade dá continuidade à sua tradição de "Museu Aberto da Arquitetura".

Poucos foram os países cujas representações diplomáticas não foram total ou parcialmente destruídas ao final da II Guerra. Assim sendo, as quase 200 Embaixadas instalando-se na cidade têm efetivamente contribuído para a construção de uma nova identidade urbana. Nesse panorama único, cada nação procura apresentar-se da melhor maneira, através sua tradição cultural, arquitetônica.

Há anos o governo brasileiro iniciou a busca de um imóvel apropriado para sua Embaixada. Comissões de "experts" e funcionários foram freqüentemente enviadas com o intuito ingênuo de obter-se um panorama sobre o mercado imobiliário local, cuja complexidade supera o de qualquer outra metrópole, devido à dramática história recente da cidade. Com o passar dos anos, as condições para a compra de um imóvel foram-se tornando cada vez mais críticas. Em fins de 1997 foi anunciada a opção por contrato de aluguel de um edifício de escritórios ainda não existente, a ser construído atendendo ao programa da Embaixada, por um prazo inicial de 20 anos. A locadora é a Deutsche Grundbezits Management mbH, afiliada ao Deutsche Bank. Os termos do contrato não foram trazidos a público. Fato é que os standards obtidos estão aquém das exigências da Diplomacia, ou seja, os custos de obras adicionais ficam obviamente a cargo dos cofres públicos.

A locação do edifício é privilegiada, num terreno diretamente à margem direita do Rio Spree, ao sul da famosa Ilha dos Museus/Ilha dos Pescadores (local de fundação da cidade). O edifício, que abriga em torno de 80 funcionários, a Residência do Embaixador e dois apartamentos para visitantes, tem quase 8.000 m2 de área construída. Ele compõe o fechamento de um bloco urbano reconstruído, no qual se encontra o famoso edifício de Max Taut para a Federação dos Sindicatos (1922/23). Nas proximidades instalam-se as Embaixadas da Holanda (Rem Koolhas, ganhador de concurso nacional), da Austrália (Daryl Jackson, ganhador de concurso nacional) e da China (reforma de um complexo hoteleiro do período socialista).

Vários países recorreram a este modelo de financiamento por não poderem ou desejarem bancar o empreendimento como um todo. Detalhe: como cláusula de contrato para novos edifícios, diversas nações soberanamente impuseram que as Embaixadas fossem concebidas por seus Arquitetos, o que foi aceito pelos investidores. O Reino Unido e o México, por exemplo, convocaram nomes da maior expressão na atualidade para Concursos Nacionais Restritos. A Embaixada Britânica foi projetada por Michael Wilford, parceiro do falecido James Stirling, a francesa por Christian de Potzamparc, a Mexicana por Gonzales de Leon & Serrano, também autores da bela representação Mexicana em Brasília.Respondendo a carta do Instituto de Arquitetos do Brasil, que por não ter sido consultado pelo Itamarati enviou carta à Presidência da República em 1997 requisitando a realização de concurso, o Ministério das Relações Exteriores limitou-se a comunicar que uma outra decisão já havia sido tomada. Em outras palavras, "Gratos por seu interesse".O mesmo descaso verifica-se em relação às Artes Plásticas. Para os países já mencionados e, muitos outros, a presença da obras de artistas nacionais é programática. Curadores foram recrutados para o comissionamento ou a seleção de obras, durante o período de projeto dos edifícios, o que entre outros viabiliza o trabalho conjunto entre Arquiteto e Artista. Em alguns casos, concursos nacionais possibilitaram a seleção de jovens artistas. A curadoria da Embaixada Britânica trabalhou mais de 3 anos no assunto. Nas Embaixadas Escandinavas deu-se preferência a projetos de instalação, em coexistência orgânica com o projeto arquitetônico. No caso do Brasil, alguns artistas brasileiros residentes na Alemanha foram requisitados a entregar obras dentro de 48 horas à embaixada, dez dias antes da chegada de FHC para a inauguração do edifício, sem que houvesse um conceito ou mesmo um budget definido. Ou seja, vigora ainda a mentalidade do empréstimo de quadrinhos para a decoração de gabinete.Independentemente da polêmica iniciada por Antônio Carlos Magalhães salientando os aspectos financeiros da questão, o episódio serve como retrato da situação da Arquitetura aos olhos da política no país. Se nem mesmo para sua representação o Governo Federal demonstra interesse na produção nacional, que dizer de uma integração efetiva da comunidade de Arquitetos nos processos decisórios do país? Que esperar dos anseios por uma Política Urbana de dimensões compatíveis a nossos problemas endêmicos, ou à formulação de um real Programa Nacional de Habitação? Nosso ilustre Presidente ignora que no contexto da "New Economy" Arquitetura é um relevante fator na circulação de Capital, e um produto de exportação. E esqueceu-se também de que um dia foi "vizinho" da FAU-USP.Citação do longo artigo do crítico Ulf Meyer num dos principais veículos de imprensa da capital alemã, o Berliner Zeitung (10 outubro 2000):"O Brasil foi o solo mais fértil para a Arquitetura de vanguarda na América Latina. A chance de se demonstrar o nível de sua Arquitetura (em Berlim) foi desperdiçada pelo Governo do Brasil. [Ao contrário de países como o México], os brasileiros mostram-se satisfeitos com um edifício de escritórios descartável."sobre o autorPedro Moreira, arquiteto formado na FAUUSP, reside em  Berlim onde é titular do escritório NDK.

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