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minha cidade ISSN 1982-9922

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Há alguns anos as diversas administrações da cidade de São Paulo, com grau variado de intensidade, têm investido na renovação e requalificação da área central da metrópole. A Praça das Artes é resultado deste processo.

como citar

MONTANER, Josep Maria; MUXÍ, Zaida. A Praça das Artes. Reconstruindo São Paulo. Minha Cidade, São Paulo, ano 14, n. 159.04, Vitruvius, out. 2013 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/14.159/4914>.



Há alguns anos, a cidade de São Paulo está tentando reverter o processo de degradação de seu centro histórico, onde permanecem sedes de grandes bancos e entidades financeiras, com a intenção de que a cidade não continue se esparramando de maneira selvagem em novos centros terciários e grandes urbanizações fechadas, como o fantasma urbano de Alphaville, conglomerado de mais de 30 urbanizações fechadas (gated communities) onde vivem cerca de 150.000 pessoas e no qual, a cada dia, entram outras tantas em seus escritórios, negócios, hotéis, escolas e universidades.

Para isso, durante o mandato progressista da prefeita Marta Suplicy, do Partido dos Trabalhadores, entre 2000 e 2004, para revitalizar o centro histórico se iniciou o plano “Morar no Centro”, introduzindo habitações dentro das velhas estruturas em desuso. Ainda que o prefeito seguinte, José Serra, tenha dado certa continuidade, o processo foi, em parte, contido. Contudo, alguns dos projetos foram adiante. Agora, com o novo governo municipal, teremos que aguardar algum tempo para conhecer sua política para o centro da cidade.

Um destes projetos, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura do governo municipal que acaba de sair, dirigido pelo prefeito Gilberto Kassab (2008-2012), foi inaugurado em dezembro de 2012. Trata-se de uma grande parte do ambicioso projeto da Praça das Artes, realizado pelo escritório Brasil Arquitetura, dirigido pelos arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci, com a colaboração do arquiteto Marcos Cartum, para abrigar o Conservatório Dramático e Musical, incluindo espaços para dança.

A solução tipológica se adapta à estrutura urbana da quadra, com uma muito boa relação com os edifícios preexistentes de finais do século 19 e princípios do 20, como o antigo Cine Cairo, próximo ao Teatro Municipal, do qual se conservou a fachada. O desafio foi ajustar um complexo programa em quatro partes distintas da quadra, gerando um espaço público urbano no seu interior. Trata-se de espaços esquecidos e abandonados, que hoje servem para relacionar três ruas distintas. Todo este sistema está constituído por generosos espaços intermediários de convivência. Desta maneira, com as três entradas diferentes e as passagens de pedestres no interior de quadra, se reordena e se enriquece o entorno urbano. O grande conjunto é acessado no momento por duas ruas, criando-se grandes lobbies e espaços abertos e ajardinados de conexão. Na fase seguinte, o conjunto cultural se abrirá a uma fachada principal, que se volta para o histórico Vale do Anhangabaú.

Uma linguagem protéica nas fachadas, feitas de concreto a vista, pigmentada de tons de cor ocre, com janelas muito diversas, de carpintaria saliente sobre as fachadas, outorga versatilidade à contundente justaposição de volumes prismáticos do conjunto. No interior se destacam grandes espaços de recepção, distribuição e exposição, incluída a restauração da tardo-barroca Sala de Concertos do antigo Conservatório Dramático Musical, e um novo grande espaço que serve de bar e refeitório, no qual se expressam, com toda sua contundência, os precedentes da arquitetura de Lina Bo Bardi, com quem Marcelo Ferraz trabalhou durante anos. Continuando a tradição de Bo Bardi, cada obra de Brasil Arquitetura restabelece as relações entre cultura e memória urbana e social dos lugares: cada espaço se realiza com um especial cuidado e confiança na matéria e na técnica. Este restaurante e espaço de convivência têm a mesma estrutura de grande espaço sanduíche do Masp em São Paulo de Lina Bo Bardi, sendo que todo o teto está recoberto pela trama policromada do artista Edmar de Almeida, feita de tapeçaria artesanal. Também na sala de exposições do Museu do Teatro Municipal, no edifício do antigo conservatório, destaca a mesma museografia ligeira, artesanal e pedagógica que Lina conseguiu em seus museus e centros culturais.

Esta operação é a parte mais representativa e visível de outras remodelações e transformações, como as que tem projetado o escritório Paulo Bruna Arquitetos Associados. Uma delas é a transformação de antigos escritórios em esquina, o edifício Riachuelo, projetado na década de 1940 pelos engenheiros Lindenberg & Assumpção. Em 2008 se completou sua conversão em um magnífico edifício de habitações de interesse social, com um muito bom uso, boa expressão da vida doméstica em janelas e balcões, e boa manutenção por parte dos usuários.

Outra, em projeto e gestão desde 2009, é a intervenção no Art Palácio, no embasamento do precioso e racionalista Plaza Hotel. O grande cinema ocupa o interior da quadra. Seu vestíbulo, en contato com a rua, foi realizado em linguagem Art Decó, com grandes colunas, capiteis e cornijas, e conduz a uma sala gigantesca. Tudo foi projetado por Rino Levi e inaugurado en 1943. A partir do projeto de remodelação, o edifício se converterá no radio City Music Hall de São Paulo, também segundo projeto de Paulo Bruna Arquitetos Associados. De fato, Paulo Bruna foi colaborador de Rino Levi nos últimos anos de sua atividade, nos anos 1960, e foi sócio de Roberto Cerqueira César, antigo associado de Levi.

Nesta mesma zona histórica, também está prevista a remodelação do velho Cine Ipiranga, em avançado processo de desapropriação. Todo isso faz parte de um processo lento, descontínuo e incompleto, que tem o objetivo de dar mais suporte institucional à reabilitação de edifícios, reforçando o caráter público e cultural da parte mais representativa e convertendo os demais em habitação. Um processo que outras capitais latino-americanas, como México DF, já iniciaram. Na capital mexicana já se começou a reabilitar velhos edifícios residenciais, tanto para habitação social como para classe média, e a promover focos culturais no centro histórico. Em suma, o objetivo é recuperar a vitalidade dos centros históricos para não desperdiçar sua potencialidade simbólica, centralidade e capacidade infraestrutural, buscando assim frear a extensão da mancha urbana enquanto o centro morre. Para isso é vital implementar intervenções arquitetônicas e de reforma urbana que se baseiam, essencialmente, em reabilitar e potencializar o existente.

nota

NE
Publicação original: MONTANER, Josep Maria; MUXÍ, Zaida. La plaza de as artes. Rehacer São Paulo. Coluna Repensar a praxis arquitectónica 14. La Vanguardia, 25 set. 2013.

sobre os autores

Josep Maria Montaner é arquiteto, doutor e catedrático da Universidade Politécnica da Catalunha. É diretor do programa de Mestrado Laboratório da habitação do século 21 na ETSAB.

Zaida Muxí Martínez é arquiteta, doutora, professora e coordenadora da Escola Técnica Superior de Arquitetura de Barcelona e co-diretora com Josep Maria Montaner do programa de Mestrado Laboratório da habitação do século 21 na ETSAB.

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