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minha cidade ISSN 1982-9922

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O prêmio “Edifício do ano” outorgado ao complexo arquitetônico Praça das Artes é o início de um reconhecimento no exterior de uma das obras mais importantes construídas nos anos recentes no Brasil.

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GUERRA, Abilio. Praça das Artes. Complexo arquitetônico brasileiro começa a ser reconhecido no exterior. Minha Cidade, São Paulo, ano 14, n. 161.02, Vitruvius, dez. 2013 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/14.161/4984>.



O complexo arquitetônico Praça das Artes ganhou no dia 5 de dezembro de 2013 o prêmio Building of the year (Edifício do ano) outorgado pela revista inglesa Icon. Neste ano, onze categorias envolvendo arquitetura e design foram premiadas pela comissão julgadora formada por especialistas nestas duas áreas: Daniel Charny, Tom Dyckhoff, Kate Goodwin, Sam Jacob, Rowan Moore e Christopher Turner.

Projeto assinado pelos arquitetos Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz do escritório Brasil Arquitetura, e Marcos Cartum, da Secretaria da Cultura da Prefeitura Municipal de São Paulo, a Praça das Artes venceu uma disputa acirrada com importantes edifícios de outros países, todos assinados por arquitetos e escritórios reconhecidos internacionalmente: Halley VI, estação de pesquisas na Antártica, do escritório inglês Hugh Broughton Architects; Louvre-Lens, museu de arte em Lens, França, do escritório japonês Sanaa; Parrish Art Museum, em Nova York, do escritório suíço Herzog & de Meuron; The Shard, arranha-céu em Londres, do escritório Renzo Piano Building Workshop, cujo titular é italiano, mas que conta com sedes em cidades de três países distintos: Gênova, Paris e Nova York.

Implantado junto ao Vale do Anhangabaú, zona central de São Paulo, o conjunto é acessado por três ruas – Rua Formosa, Rua Conselheiro Crispiniano e Avenida São João – e abriga ou abrigará (quando terminar sua segunda fase) diversas atividades das áreas de música e de dança: as orquestras Sinfônica Municipal e Experimental de Repertório, os corais Lírico e Paulistano, o Quarteto Municipal de Cordas, a Escola Municipal de Música e a Sala de Concertos do antigo Conservatório Dramático e Musical, o Balé da Cidade e a Escola de Bailado, além de programa complementar: discoteca, centro de documentação, galeria de exposições, áreas administrativas, de convivência, restaurantes, cafés e estacionamento em dois níveis de subsolo.

Há alguns anos tenho observado com muita atenção a obra dos arquitetos Francisco Fanucci e Marcelo Carvalho Ferraz, em especial seus em projetos de intervenção em edifícios preexistentes. Dentre eles, destacam-se os seguintes projetos: Teatro Polytheama (Jundiaí SP, 1995-1996), Conjunto KKKK (Registro SP, 1996-2001), Museu Rodin Bahia (Salvador BA, 2002-2006) e Museu do Pão (Ilópolis RS, 2005-2007). Estes projetos, merecedores de diversos prêmios de Bienais nacionais e internacionais e do Instituto de Arquitetos do Brasil, foram publicados em revistas e livros no Brasil e exterior. Como reconhecimento da importância destes projetos para a discussão teórica e prática do restauro e preservação do patrimônio arquitetônico, sugeri estes exemplos como tema de trabalho acadêmico que orientei na Universidade Presbiteriana Mackenzie, que resultou em excelente mestrado com fomento da Fapesp (1) Neste trabalho é possível constatar a enorme expertise dos arquitetos em relação ao tema da intervenção em subsistências, experiência que se origina, no caso específico de Marcelo Ferraz, no contato direto com Lina Bo Bardi (Solar do Unhão, Salvador; Sesc Pompéia, São Paulo), com quem trabalhou por anos.

Praça das Artes, acesso Rua Conselheiro Crispiniano, São Paulo. Arquitetos Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz e Marcos Cartum
Foto Nelson Kon

No caso específico da Praça das Artes, em três ocasiões distintas eu estive diretamente envolvido em situações que confirmam as qualidades não só arquitetônicas, mas também urbanísticas, institucionais e sociais deste projeto. A primeira delas é a exposição “Território de Contato”, ocorrida no Sesc Pompéia, da qual fui curador ao lado da arquiteta Marta Bogéa. O projeto foi exposto com fotos de sua construção em curso na ocasião; no texto curatorial, afirmamos que no projeto da Praça das Artes “os novos edifícios se ajustam aos antigos, deixando livre o miolo de quadra, um espaço público aberto que articula passagens das três ruas que cercam o complexo” (2). A criativa implantação desenvolvida pelos arquitetos – a partir da concepção inicial de Marcos Cartum, arquiteto da Prefeitura – resulta em edificações que abrigam a contento os usos propostos e, nos seus interstícios, ofertam espaços públicos qualificados para o uso da coletividade. A exposição destacou este aspecto, em especial seu rebatimento nos múltiplos usos resultantes da ocupação destes espaços pela população.

A segunda ocasião é minha participação – ao lado dos colegas arquitetos e críticos de arquitetura Fernando Serapião, Guilherme Wisnik, Maria Isabel Villac, Mônica Junqueira de Camargo, Nadia Somekh e Renato Anelli – no júri de arquitetura da Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA, que outorga o mais tradicional prêmio artístico brasileiro. A Praça das Artes mereceu o prêmio APCA na categoria “Obra de arquitetura” e o texto que coube a mim redigir – a partir dos argumentos elencados pelo júri durante as reuniões de seleção dos premiados – justifica a distinção a partir da enorme relevância do programa e de três aspectos distintos do projeto: “do ponto de vista programático, o resultado final é um complexo que mescla as atividades culturais e a vitalidade própria do centro urbano”; “do ponto de vista arquitetônico, se estabelece um profícuo diálogo entre o novo e o antigo, tema recorrente na obra do Brasil Arquitetura”; “do ponto de vista urbanístico, a quadra aberta funciona como peça de ajuste entre os urbanismos clássico e moderno presentes no arruamento e quadrícula tradicionais e na grande plataforma de concreto do Vale do Anhangabaú” (3) A relevância do projeto foi igualmente destacada no texto do júri que justifica assim o prêmio na categoria “Cliente/promotor” para Carlos Augusto Calil, secretário da cultura da cidade de São Paulo na ocasião: “criou o conjunto chamado Praça das Artes a partir do Conservatório Dramático e Musical” (4).

Por fim, a terceira ocasião foi a conferência que proferi em Bogotá, Colômbia, durante a realização do 15º Seminario Latinoamericano de Arquitectura – SAL. Na ocasião desenvolvi o tema “Comunicación y Crítica” e apresentei apenas dois projetos brasileiros, que considero os mais relevantes enquanto obras arquitetônicas de interesse social construídos recentemente. Ao lado da Biblioteca Mindlin construída na Cidade Universitária da USP, projeto dos arquitetos Eduardo de Almeida e Rodrigo Loeb, estava a Praça das Artes, que merece a seguinte descrição sumária: “um enorme complexo que concentra as diversas orquestras e corpos de dança da cidade, faz parta da estratégia da Prefeitura Municipal para promover a renovação do centro histórico de São Paulo. O edifício tem múltiplos aspectos, sendo os diálogos com o patrimônio e com o espaço público os mais evidentes” (5).

Praça das Artes, auditório restaurado, São Paulo. Arquitetos Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz e Marcos Cartum
Foto Nelson Kon

O projeto de excepcional qualidade já é merecedor – mesmo que incompleto em sua construção – de amplo reconhecimento acadêmico e cultural em nosso país. O reconhecimento no exterior era uma questão de tempo. Em artigo recentemente publicado na Espanha e já republicado por mim no portal Vitruvius, Josep Maria Montaner e Zaida Muxi entendem que “o desafio foi ajustar um complexo programa em quatro partes distintas da quadra, gerando um espaço público urbano no seu interior. Trata-se de espaços esquecidos e abandonados, que hoje servem para relacionar três ruas distintas. Todo este sistema está constituído por generosos espaços intermediários de convivência” (6). A dupla de autores destaca no projeto seu caráter urbano articulador de uma área central debilitada de São Paulo, no meu entendimento uma de suas múltiplas qualidades. Acredito que o prêmio da revista inglesa Icon é apenas o primeiro de muitos que este projeto especial irá receber nos anos próximos.

notas

1
NAHAS, Patrícia Viceconti. Brasil arquitetura: memória e contemporaneidade. Um percurso do Sesc Pompéia ao Museu do Pão (1977-2008). Dissertação de mestrado. Orientador Abilio Guerra. São Paulo, FAU Mackenzie, 2009 <www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=15712>.

2
BOGÉA, Marta; GUERRA, Abilio. Algo muito humano além de belo. Exposição Território de Contato (módulo 1). Arquitextos, São Paulo, ano 12, n. 144.00, Vitruvius, maio 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.144/4365>.

3
GUERRA, Abilio. Prêmio APCA 2012 – Categoria “Obra de arquitetura”. Premiado: Praça das Artes / Brasil Arquitetura e Marcos Cartum. Drops, São Paulo, ano 13, n. 063.08, Vitruvius, dez. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/13.063/4629>.

4
WISNIK, Guilherme. Prêmio APCA 2012 – Categoria “Cliente / promotor”. Premiado: Carlos Augusto Calil / Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo. Drops, São Paulo, ano 13, n. 063.07, Vitruvius, dez. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/13.063/4619>.

5
A conferência será publicada na revista Argentina Summa+ no início do próximo ano.

6
MONTANER, Josep Maria; MUXÍ, Zaida. A Praça das Artes. Reconstruindo São Paulo. Minha Cidade, São Paulo, ano 14, n. 159.04, Vitruvius, out. 2013 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/14.159/4914>. Publicação original: MONTANER, Josep Maria; MUXI, Zaida. Rehacer São Paulo. Coluna Espacios. Barcelona, La Vanguardia, 25 set. 2013, p. 22.

sobre o autor

Abilio Guerra é arquiteto, professor da graduação e pós-graduação da FAU Mackenzie e editor do portal Vitruvius e da Romano Guerra Editora.

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