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Veja o resultado do Concurso Nacional promovido pela Prefeitura Municipal de Londrina e organizado pelo IAB - Instituto dos Arquitetos do Brasil, que premiou os 5 melhores anteprojetos arquitetônicos para o Teatro Municipal de Londrina-PR

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PORTAL VITRUVIUS. Concurso Público Nacional de Arquitetura para o Teatro Municipal de Londrina - PR. Projetos, São Paulo, ano 07, n. 080.01, Vitruvius, jul. 2007 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/07.080/2824>.


Aspectos urbanos

A análise in loquo do sitio confirmada enfaticamente pela observação das fotos aéreas ressalta a importância do conjunto arbóreo existente.Ao mesmo tempo o traçado viário previsto para o local e enviado aos participantes do Concurso não dá indícios de uma preocupação com a conservação desta massa verde.

Também a observação das fotos aéreas em conjunto com as plantas do existente e do projetado revelam um espaço em que,  vegetação, topografia e desenho dos limites com as vias públicas apontam para forma orgânica.Parece-nos que um traçado viário orientador das edificações futuras poderia (ou deveria) levar em consideração esta pré-existência, o que não foi feito, sendo o traçado projetado rigidamente ortogonal.

Ressalta no traçado projetado a importância futura do eixo central, considerado como acesso secundário no Edital do Concurso.

Num futuro conjunto edificado como este é de vital importância o enfoque da interface com as vias públicas e a criação de espaços de transição que estabeleçam a necessária conexão do novo espaço proposto com a cidade e suas vias públicas.

Sendo o objeto do Concurso edificação estatal, pública e de função cultural, é oportuno pensar em espaço com características “abertas”, democrático.

Aspectos conceituais

Embora o Concurso leve por título “Teatro Municipal de Londrina”, o Programa apresentado incluindo espaços para exposições, biblioteca, cinema, etc., pode ser visto como conceituando um Centro Cultural.Adotando este conceito procuramos por meio de pequenos acréscimos ao Programa,(que não são fundamentais para a sustentação do projeto e que dependeriam de interação com o cliente) enfatizar esta característica.

No desenho fornecido aos participantes do Concurso está indicada, junto à via pública, faixa onde deve se localizar o acesso principal do conjunto ao mesmo tempo em que é indicado como acesso secundário aquele feito pela futura rua, eixo do traçado proposto.Vista a importância que deverá assumir este futuro eixo estabelecemos como premissa de projeto a  criação de espaço de chegada conectando estes dois acessos.

A análise funcional do Programa e a geometria do terreno indicaram solução em que as funções são agrupadas por faixas, uma contendo os serviços de apoio aos palcos,outra com os teatros e uma terceira como praça coberta interligando os foyers às demais atividades.

A análise crítica feita ao traçado viário futuro, no lote, com sua rígida ortogonalidade, é transportada à proposta e, como conseqüência, estabelece-se a priori que o resultado final deverá de alguma maneira se acomodar de maneira orgânica ao sitio.Ao mesmo tempo esta idéia é reforçada pela necessária expressividade que um complexo cultural com esta importância deve assumir.

A chaminé existente deverá assumir papel importante na formalização do conjunto como marco vertical.

A proposta

A primeira decisão, a partir das análises preliminares, relativa ao espaço de acolhimento de público, chegada e encaminhamento, foi de criação da Praça da Chaminé, onde se faz a conexão entre o acesso pela  avenida e o acesso pelo eixo interno.

Sequencialmente, são propostos espaços de transição, dois deles no lote do Complexo e outros, como sugestão, nas intersecções das avenidas circundantes com as futuras vias transversais .

A tipologia funcional adotada por faixas de uso leva em conta a geometria alongada do terreno.Estudos dimensionais comprovaram a factibilidade desta conformação.

O passo seguinte foi o estabelecimento da posição relativa das três salas de espetáculo solicitadas.Num primeiro momento pensou-se, pela importância, na colocação da sala maior mais próxima à Praça da Chaminé, o que mostrou-se inadequado pois o esforço em conceber um espaço integrador e generoso de acolhimento desembocava em circulação afunilada.

A inversão de posições fez com que o espaço interno se conformasse como continuidade da praça, que era o objetivado.

Conforme estabelecido nas premissas conceituais iniciais, buscava-se formalização com nítido caráter orgânico, o que, de certa maneira, não se coadunava com um perfilamento ortogonal das salas de espetáculo.Ao mesmo tempo nos recusávamos a adotar conformação não-ortogonal aleatória.Estabelecia-se neste aparente paradoxo orientação para as posteriores decisões.A primeira, um deslocamento da casca envoltória do foyer do teatro maior, levando em consideração a visual do transeunte na av. Attilio Bizato, a quebra do virtual “canto” do conjunto e,um melhor alinhamento com a rua

Na mesma linha de pensamento, buscando coerência através de aparente formalização arbitrária, giramos o eixo do teatro menor(multifuncional) conseguindo com isto uma melhor definição do acesso de pedestres vindos do eixo principal interno do futuro conjunto.Esta intenção de demarcação de acesso por meio de volume é enfatizada expressivamente com pequeno movimento quebrando a horizontalidade do bloco.

O entendimento de que estamos trabalhando com um complexo cultural e para que esta noção seja claramente visível, indicou a necessidade de ênfase em um espaço amplo,multifuncional e integrador.Demarcando este espaço, de um lado os acessos aos teatros e, de outro, ateliers, administração, exposições, etc..

Embora a organização funcional resultante respondesse bem às intenções propostas e a leitura dos espaços, com acessos e percursos bem definidos, se mostrasse adequada, o conjunto volumétrico se ressentia de uma forte unidade e identificação buscada.A solução veio por meio de unificação dos espaços externos, Praça da Chaminé, e internos, Grande Hall por meio de marquise que, ao mesmo tempo, criava novo espaço, uma esplanada verde.Este elemento integrador é desenhado com forma acomodada ao traçado do terreno e aos diversos volumes do conjunto.

Três rasgos na esplanada definem, nos extremos, de um lado a Praça da Chaminé e de outro auditório ao ar livre e, no centro, o Grande Hall.

As vagas para estacionamento aberto foram localizadas em faixa junto à divisa norte  do lote e o estacionamento coberto, em sub-solo sob a praça de acesso

A possibilidade de conservação do conjunto arbóreo, infelizmente é impossível visto que o alargamento da Av.Attilio Bizato por si só elimina uma parcela importante de árvores.O que propomos, e isto poderia ser norma para o futuro empreendimento no local, é a minimização do impacto pela reposição.

A área verde existente no lote do complexo é de aproximadamente 7.000m2.Com uma concentração maior de árvores no limite oeste do terreno, prolongando-se pelas áreas de estacionamento e mais a área do canteiro central da avenida conseguimos alcançar em torno de 5.000m2, acrescidos de 6.200 m2 de área verde da plataforma.

Questões conexas

Formais

Os volumes dos teatros por si só contêm forte caráter expressivo o que nos levou a apenas enfatizar este caráter por meio de monocromatismo.Para isto adotamos técnica que vem sendo largamente utilizada pelos arquitetos europeus de ponta, o concreto branco que resolve o que foi um dos” calcanhares de Aquiles” do Modernismo com seu largo emprego do concreto aparente-a conservação.

O que poderia ser um argumento contrário ao uso desta tecnologia, o custo, se mostra adequado na comparação com outra possibilidade, p. ex., de uso de alvenarias revestidas, e esta comparação se comprova em algumas obras no Brasil como no Museu  Iberê Camargo.

Acresce-se a durabilidade e não necessidade de manutenção pela qualidade do agregado mais fino empregado e a grande economia resultante da diminuição da carga térmica como conseqüência da reflexão (branco).

A sala menor, multifuncional, propositadamente, para enfatizar sua diferença e seu caráter demarcatório de acesso é tratada com cor.

Os espaços ligados ao Grande Hall,salas de aula, de ensaio, etc., são conformados como caixas soltas e envidraçadas para o interior, com isto permitindo a visualização das atividades e a animação do espaço.

Sistema de ventilação natural adotado para estas salas é tratado como escultura  formando o conjunto um “passeio arquitetural” na esplanada.

A colocação dos foyers voltados para sul permitiu amplo envidraçamento e com isto obtenção de visuais para o Grande Hall e para o exterior por sobre a esplanada.

Funcionais

A acomodação de infra-estrutura para os teatros (camarins,oficinas,etc.) junto à divisa norte permite o uso compartilhado, flexibilidade e acesso de serviço(doca).

As salas de aula solicitadas no Programa deverão ser desenhadas de maneira a servirem também como salas de ensaio.

No limite entre a Praça da Chaminé e o Grande Hall foi posicionado volume contendo bilheterias, informações e loja de souvenirs.

A sala multifuncional (sala menor) é pensada para ser usada também como estúdio de TV e cinema.

A partir do entendimento do conjunto como centro cultural e com vistas a proporcionar maior animação são sugeridos.um restaurante e um auditório ao ar livre.

O acesso à esplanada é feito por escadas e rampa.

Implantação
Imagem do autor do projeto


Estrutura

As caixas dos teatros são estruturadas a partir de paredes-cortina externas de concreto que recebem as cargas de cobertura. Estas, com vãos variáveis, sendo o maior de aproximadamente 28m., são resolvidas por meio de laje.solidária com vigamento de aço.

A laje da esplanada é concebida como viga podendo assim receber em qualquer ponto os apoios, pilares com capitel para melhor distribuição dos esforços.

A concepção da estrutura dos teatros como bloco monolítico resulta em comportamento uniforme sem a ocorrência, normal nas estruturas convencionais, de futuras rachaduras.Aumenta-se também a resistência em cerca de duas vezes e meia.

Sustentabilidade

Ao longo do processo de projeto a proposta recebeu intervenções de especialistas no que refere a ventilação, iluminação natural, acústica e sustentabilidade.Estas consultorias produziram uma série de interferências no processo que resultaram em projeto voltado à economia de energia, conforto ambiental, racionalização dos custos de construção e manutenção.

O item mais expressivo destas resoluções é a grande laje de cobertura com grama que além de proporcionar uma praça elevada contribui para o isolamento térmico, retendo por algum tempo um grande volume de água diminuindo as demandas sobre as redes pluviais.

Outras questões importantes abordadas e incorporadas ao projeto são:

1.Replantio- visa a minimizar os efeitos do desmatamento e se traduziu por replantio de árvores no próprio terreno e nos canteiros da avenida;

2.Tratamento de águas negras- relativamente simples, constituído de tanque de ebulição, filtro anaeróbico e leito de evapotranspiração, tornando a água própria para reuso em jardins ou nas descargas sanitárias.

O volume de água assim reciclado é relativamente pequeno mas serve como exemplo e diretriz a ser seguida em todo loteamento;

3.Separação de lixo reciclável- Seleção prévia do lixo nas diversas modalidades.Também aqui a quantidade de lixo não é significativa ficando a diretriz para o restante do loteamento.

Fachada 01
Imagem do autor do projeto


4.Coleta e utilização de água da chuva- Complementar ao tratamento das águas negras e com idêntica utilização.

5.Energia- Procurou-se usar sistema de ar condicionado apenas em espaços onde seu uso é essencial e utilizando sistemas naturais de ventilação onde possível, como no Grande Hall que funciona como praça coberta.Em alguns outros ambientes se pensou em usos alternativos dependendo da temperatura externa.Assim, tanto nos foyers com nas salas de aulas e de administração utiliza-se o efeito “ chaminé” para ventilação.Também foram utilizadas câmaras de aquecimento de ar nas coberturas para provocar a tiragem de ar.

Outro recurso adotado foi de dutagem subterrânea que permite baixar a temperatura do ar em até 19ºC.

Cuidado especial foi usar grandes envidraçamentos apenas para sul ou sob sombreamento de coberturas.

6.Escolha de materiais- Alguns parâmetros ligados ao conceito de “ pegada ecológica” foram levados em consideração, a saber:

a. localidade- visto o alto custo energético agregado ao material pelo transporte, os materiais empregados são usuais na região;

b.desperdício- o desenho final deverá levar em conta este tópico;

c.potencial de reciclabilidade- de acordo com tabelas disponíveis;

d.-algumas escolhas já feitas baseiam-se nestes princípios, como o uso de pisos externos que evitem a impermeabilização do solo e o uso de grama na cobertura.

Fachadas 02 e 03
Imagem do autor do projeto


Sistema de condicionamento artificial

Utilizamos o sistema convencional composto por unidade condensadora externa interligada a evaporadores distribuídos pelos diversos ambientes.

Vista a elevada carga total optou-se pelo uso de “chillers” concentrados em central.A localização deste maquinário foi estudada tendo em conta o ruído a ser gerado.

No desenvolvimento do projeto poderá ser estudada a utilização de central de água gelada.

O sistema de dutos dos teatros deverá ser pensado para baixa velocidade do ar insuflado e com atenuadores acústicos para evitar transmissão de ruídos.

Salas teatro
Imagem do autor do projeto


Acústica

1.Os estudos que definiram a forma das salas de espetáculo levaram em conta, de forma integrada, os aspectos relativos a visibilidade e envolvimento palco/platéia, de um lado, e acústica, de outro.adotou-se forma curva baseada na história sedimentada do bom desempenho acústico dos teatros de ópera em forma de ferradura.esta configuração proporcionou plenamente o desejado envolvimento da sala.

As dimensões adotadas levaram em conta a distancia máxima do proscênio ao espectador mais afastado, a largura que permitisse reflexões laterais e altura recomendada e possível graças às galerias superpostas.

Por seu bom desempenho acústico escolheu-se usar forro e paredes compostos por painéis reguláveis de madeira.

2.As salas de ensaio e aulas deverão receber tratamento acústico isolante.

3.A propagação sonora do ruído de tráfego sobre o auditório ao ar livre é atenuada por barreiras colocadas na avenida (chapa perfurada) e vegetação junto às calçadas.

Planta pavimento térreo
Imagem do autor do projeto

Corte transversal AA
Imagem do autor do projeto

Corte transversal BB
Imagem do autor do projeto

Corte transversal CC
Imagem do autor do projeto


ficha técnica

Projeto
Andreoni Da Silva Prudencuio
Carlos Andre Soares Fraga
Cesar Dorfman
Rodigo Adonis Barbieri

Colaborador(es)
Marco Maia (acústica)
Pery Bennett (sustentabilidade)

source
Equipe premiada
Porto Alegre RS Brasil

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original: português

source
Organização do concurso
Londrina PR Brasil

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