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PORTAL VITRUVIUS. Campus Lagoa do Piau. Projetos, São Paulo, ano 09, n. 100.01, Vitruvius, abr. 2009 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/09.100/2951>.


Localizado em local de grande beleza natural, estratégico em relação a região (Vale do Aço e do Rio Doce), o Campus Lagoa do Piau nasce com identidade ecotecnológica, pretendendo o desenvolvimento de novas tecnologias (Ciência da Informação, Engenharia Civil/Sistemas Construtivos, Elétrica e Telecomunicações, etc.) e de promoção do desenvolvimento Turístico  e preservação do Meio Ambiente da região, nada mais sintomático do que se municiar de um projeto arquitetônico e urbanístico, com etapas de crescimento programadas em função de demanda socioeconômica , que possa oferecer alternativas de acesso a uma abordagem acadêmica que venha contemplar as diversas facetas deste encontro eco e tecnológico.

Localizado em local de grande beleza natural, estratégico em relação a região (Vale do Aço e do Rio Doce), o Campus Lagoa do Piau nasce com identidade ecotecnológica, pretendendo o desenvolvimento de novas tecnologias (Ciência da Informação, Engenharia Civil/Sistemas Construtivos, Elétrica e Telecomunicações, etc.) e de promoção do desenvolvimento Turístico  e preservação do Meio Ambiente da região, nada mais sintomático do que se municiar de um projeto arquitetônico e urbanístico, com etapas de crescimento programadas em função de demanda socioeconômica , que possa oferecer alternativas de acesso a uma abordagem acadêmica que venha contemplar as diversas facetas deste encontro eco e tecnológico.

Campus Lagoa do Piau, chalés professores e estudantes, corte, Caratinga MG. Arquiteto Sylvio Emrich de Podestá, 2006
Desenho divulgação

Dividido em três módulos, o terreno caracteriza de imediato suas possibilidades funcionais.

Uma grande área plana, com vegetação inexpressiva, sugere uma ocupação mais densa. Esta área, cercada por uma exuberante paisagem formada por elevações lindeiras e frontais que conformam um grande e belo lago (ou lagoa), parte do projeto de preservação ambiental do Vale do Rio Doce, é onde implantamos o Campus propriamente dito.

Este projeto acadêmico amplia-se na sua oferta inicial com a criação da Universidade Livre do Meio Ambiente, um laboratório de conhecimento e manejo dos diversos tipos de ambiente e com o Centro de Estudos de Promoção Turística que aproveita da implantação no Módulo 3 de um Hotel/Escola e um Centro de Convenções com estrutura para eventos diversos.

Amplia-se também na implantação de um Centro Cultural que promoverá oficinas e mostras artísticas, preservação da memória e cultura regionais e também de um setor de Lazer e Esportes, com atividades ligadas às comunidades vizinhas na promoção de shows, campeonatos e outros.

Campus Lagoa do Piau, chalés professores e estudantes, perspectiva, Caratinga MG. Arquiteto Sylvio Emrich de Podestá, 2006
Desenho divulgação

O Estudo apresentado compara estas abordagens e suas funcionalidades inter-relacionadas a um circuito impresso onde as diversas funções setorizadas compõem uma única placa onde elementos como chip, processador, memória, cabos, pilhas, etc. se ajustam para cumprir o programa pretendido.

O Módulo 2, topograficamente plano, é quem recebe (como no circuito impresso) uma malha desenhada com eixos ordenadores onde se localizam todos os componentes (sujos e limpos) da estrutura de funcionamento do complexo.

Pelo solo, esgotos e águas secundárias, não potáveis, retiradas e tratadas da lagoa, para suprir demandas como irrigações, lavagens, descargas e outras. Aéreas e localizadas em “canaletas” diferenciadas, as distribuições de infraestruturas limpas como redes elétricas, água potável, cabos de lógica (fibras óticas), blindadas, compõem esta ossatura de funcionamento.

Esta infraestrutura se alonga, secundariamente, para abastecer os setores ligados a hospedagem, monitoramento ambientais e parte do complexo de Lazer e Esporte que tem demanda própria.

Estabelecida uma malha infraestrutural, vias automotivas e de pedestres se organizam sobre estes eixos, criando acessos principais e secundários, descobertos e cobertos, diretamente localizados no solo ou sobre pilotis.

Campus Lagoa do Piau, chalés professores e estudantes, perspectiva, Caratinga MG. Arquiteto Sylvio Emrich de Podestá, 2006
Desenho divulgação

Os pilotis são fundamentais na construção da infraestrutura como o da adoção de sistemas bioclimáticos para as principais edificações onde a quantidade de pessoas em atividades moderadas e em permanência prolongadas necessitam de conforto ambiental adequado.

Estruturados em perfis de aço que se alongam para compor a estrutura mestra das edificações ou que dão suporte as estruturas em madeira roliça que comporão passarelas, pergolados e ambientes adequados ao seu uso, estes pilotis formam uma espécie de andar de serviço aberto onde o monitoramento, manutenção e ampliação das vias e infovias é feito de forma imediata e com a precisão necessária.

Com esta estratégia projetual consegue-se uma visão clara das possibilidades de ampliações previstas e ainda de antever possíveis outros componentes pedagógicos, lúdicos ou mercadológicos que possam ser acrescidos em tempos futuros.

Campus Lagoa do Piau, croquis, Caratinga MG. Arquiteto Sylvio Emrich de Podestá, 2006
Desenho escritório

Edifícios funcionais, culturais, esportivos e de compras, turísticos e emblemáticos encontram nesta estrutura e no seus alongamentos secundários “porto seguro”.

As unidades passam a ter então áreas de implantação ligadas às diretrizes funcionais, sejam elas de necessidades físicas (como locomoção entre partes), estruturais (onde podem se concentrar maiores quantidades de equipamentos específicos) e todas outras que de uma forma ou de outra promovam especividades próprias ou conjugadas.

A Arquitetura desenha estas unidades procurando responder aos processos construtivos, ambientais e de sustentabilidades possíveis, dando caráter próprio a cada unidade e de acordo com suas características.

Campus Lagoa do Piau, croquis, Caratinga MG. Arquiteto Sylvio Emrich de Podestá, 2006
Desenho escritório

O que mostramos no projeto são as possibilidades diversas de uma demanda que se inicia com um plano que pode sofrer variações sem que a idéia inicial de flexibilidades diversas seja comprometida.

Acrescentamos ainda um sistema estrutural pré-fabricado, racionalmente projetado, consagrando materiais e custos compatíveis com o empreendimento a nível econômico, de forma a controlar custos e tempos necessários; processos de sistemas bioclimáticos para conforto térmico dos espaços diversos, diminuindo demandas energéticas, revendo paradigmas relacionados com ouso da “força bruta” caracterizada pelo uso indiscriminado de condicionamentos mecânicos e propondo um processo de sustentabilidade baseado na educação, monitoramento e projetuação compatível com uma filosofia ecológica.

A adoção de uma construção racional, com componentes pré-fabricados, (estrutura, piso, vedações, etc.) sejam elas de aço, concreto, madeira, gesso ou outros materiais é o que consideramos na elaboração deste projeto o que é justificável não só pela proximidade com a região que tem vocação siderúrgica, concreteira e madeireira, também pela concepção filosófica do projeto que prevê crescimentos baseados em Etapas acadêmicas/estruturais, ou seja, numa demanda crescente de novos espaços dentro das expectativa da instituição e, ainda, pela forma com que o estudo arquitetônico/urbanístico promove o uso de uma sistemática construtiva baseada numa malha logística de infraestrutura que é parte fundamental na concepção de todo o plano. É desta forma que, também como um sistema onde todas as peças são pré-fabricadas, que a arquitetura dos edifícios passa efetivamente a ser parte do processo como um todo.

É portando necessário trabalhar num sistema que tem uma concepção racional para fabricação e montagem industrializada, que utilize a estrutura de aço e os diversos componentes existentes no mercado e de acordo com seu uso, ou seja, painéis de paredes, lajes e estrutura de cobertura, compondo um conjunto conveniente ao empreendimento no que diz respeito às edificações em suas diversas tipologias.

Campus Lagoa do Piau, planta de paisagismo do conjunto, Caratinga MG. Arquiteto Sylvio Emrich de Podestá, 2006
Desenho escritório

As condições termo-acústica são garantidas pelo uso correto dos componentes, ventilações e iluminações, promovendo o conforto ambiental adequado às necessidades do projeto, como por exemplo, vedações não estruturais que podem ser alteradas, relocadas ou mesmo subtraídas.

Material renovável, a madeira permite seu emprego em estruturas pré-fabricadas em condições análogas às do aço. Sua utilização é simples, conhecida e emprega mão-de-obra menos exigente, porém seu emprego exige portanto uso adequado levando-se em conta as dificuldade inerentes a suas propriedades. Deverá ser utilizada em forma de troncos. A perecibilidade pode ser resolvida por tratamento adequado.

No nosso caso, sua adoção em passarelas, pergolados, coberturas e decks permite que o resultado visual do projeto, este mix procurado de tecnologia e qualidade arquitetônica das edificações seja enriquecido pelo “esquentamento” próprio do material, humanizando e adequando os prédios ao belíssimo local onde se localiza – Lagoa do Piau.

Também, o futuro curso de graduação em Engenharia Civil com ênfase em Sistemas Construtivos voltado para a utilização e o desenvolvimento de novas tecnologias construtivas, desenvolvimento e utilização arquitetônica de sistemas construtivos, projeto e desenvolvimento de sistemas integrados e modulares, projetos arquitetônico utilizando novos materiais, materiais alternativos, projetos de equipamentos urbanos e ambientais tem no Campus futuro seu melhor show room, seu melhor campo de pesquisa.

O projeto prevê aplicar o máximo soluções bioclimáticas procurando amenizar o uso de equipamentos mecanizados nos ambientes de trabalho, sem perda da qualidade do conforto ambiental.

Soluções como troca de calor induzido por áreas negativas e positivas ou mesmo com equipamentos de pequeno e médio porte podem trazer benefícios qualitativos e econômicos.

Clima quente, com estação de chuva e seca bastante definidas, com temperaturas médias elevadas, sem grande variação anual e diurna, é um clima de dupla personalidade, podendo apresentar condições adversas, que exijam proteção dos espaços externos e total divórcio das condições externas especialmente nas ocasiões de secas.

Neste tipo de situação climática, no conjunto de elementos das edificações, a cobertura é responsável pela maior carga térmica produzida pelas radiações solares, sendo o elemento mais importante na prevenção do calor.

Campus Lagoa do Piau, vista aérea A, Caratinga MG. Arquiteto Sylvio Emrich de Podestá, 2006
Foto divulgação

Também nas atividades que ocorrem dentro dos prédios , dois fatores são os principais responsáveis por estas cargas: pessoas em atividade moderada e iluminação artificial. Estimular a iluminação natural significa, ao mesmo tempo, maior iluminação por menor custo energético.

Além destes parâmetros gerais, também estamos sugerimos o uso de edificações sob pilotis (1,50m do solo) criando um andar de serviços abertos, por onde passarão todas as redes da infraestrutura necessária, além de permitir ventilação por todos os lados das edificações (inclusive, agora, por baixo) de forma a “lavar” todas suas fachadas, contribuindo para o menor aquecimento das mesmas e consequente menor transferência de calor para o interior.

Passarelas de acesso de pedestres, também sobre pilotis, com piso e teto em madeira (eucalipto tratado) permitindo total ventilação e sombreamento no caminhar. Tetos duplos são adotados praticamente em todas as edificações.

Por estarem as aberturas principais orientadas para o quadrante Sul e que é também a vista mais agradável e estimulante (paisagem da lagoa), recomendamos grandes panos de vidro com aberturas controladas.

Desta forma, com a adoção de todos estes elementos de projetos, a solução final se aproxima do ideal e permite que a arquitetura e a logística do empreendimento estejam totalmente em sintonia o que é que, no mínimo, a aplicação do saber num projeto que tem por princípio divulgá-lo.

Campus Lagoa do Piau, vista posterior do prédio A, Caratinga MG. Arquiteto Sylvio Emrich de Podestá, 2006
Foto divulgação

ficha técnica

Arquiteto
Sylvio Emrich de Podestá

Colaboração
Gian Paolo Lorenzetti, Pedro Aragão de Podestá e Marcos Franchini (estagiário)

Proprietário
Instituto Doctum, Faculdades Integradas de Caratinga

Construção Prédio A
Plante Engenharia Ltda.

Estrutura metálica, cálculo e montagem
Techneaço Engenharia Ltda.

Local
Lagoa do Piau, Caratinga, MG.

Área terreno
16,5 hectares

Área Prédio A
1.575,00m2

Projeto
2005/06

Obra
2005/06

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original: português

source
Sylvio Emrich de Podestá
Belo Horizonte MG Brasil

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