Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

projects ISSN 2595-4245

abstracts

português
Segundo decreto n° 55.045/14, parklet é uma ampliação do passeio público, realizada por meio da implantação de plataforma sobre a área antes ocupada pelo leito carroçável da via pública, com função de recreação ou de manifestações artísticas.

how to quote

PORTAL VITRUVIUS. Parklets e a ampliação do passeio público. Bancos, floreiras, mesas, cadeiras, guarda-sóis, bicicletas e outros equipamentos ocupando o lugar de automóveis. Projetos, São Paulo, ano 16, n. 183.01, Vitruvius, mar. 2016 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/16.183/5956>.


Parklet localizado na Rua Vitorino Moraes, São Paulo
Foto divulgação

Parklet Rua Maria Antônia
Parklet Rua Oscar Freire
Parklet Alameda Tietê
Parklet Rua Pais de Araújo
Parklet Rua Salvador Cardoso
Parklet Rua Vitorino de Moraes

O ciclo projeto-fabricação de parklets é muito pequeno se comparado com outras áreas da arquitetura e urbanismo, essa peculiaridade reflete-se no momento inicial da concepção no qual o processo de fabricação e instalação já tem de ser contemplado, incluindo a logística das peças e o encaixe rápido entre elas, já que o local de montagem é literalmente o leito carroçável, onde precisamos causar o mínimo transtorno possível.

No processo inicial de projeto, sempre há a vontade do projeto individual, não pela busca de um ineditismo, mas pela tentativa de criar narrativas com a rua em questão, grupo de usuários, funções necessárias, horário predominante de uso, universo estético do patrocinador, enfim, procurar atender essas grandezas acaba resultando no projeto único.

Também fabricamos os parklets que projetamos, o que gera a responsabilidade de desenvolver não só os detalhes, mas também executá-los e comprovar o que dá certo, e o que precisa ser revisado já na linha de frente, e sempre com o prazo justo. Esta decisão veio de uma necessidade, pois, no inicio tivemos dificuldade em contratar empresas ou profissionais dispostos a se arriscar realizando um produto novo, e os que topavam a empreitada geravam orçamentos elevados. Com a fabrica conseguimos uma redução de custos significativa, além, é claro do maior controle de qualidade e fidelidade ao projeto na execução.

No parklet da Rua Maria Antônia, é característico o uso por universitários no período noturno, e a questão inicial que surgiu de um bate-papo com amigos, era o quão difícil se tornou em uma conversa de bar se estabelecer uma conexão visual estável em tempos de tecnologia mobile. Por mais banal que possa parecer conversar frente-a-frente a uma pequena distância, a ação tem o potencial de criar uma conexão maior do que em uma conversa de posicionamento físico descompromissado (1).

Para tanto foi concebido mesas móveis altas, que servem para apoiar bebidas, e estabelecer uma proximidade com o outro, de frente-a-frente.  As mesas correm sobre trilhos instalados no piso e no banco que faz limite com a rua e atua também como guarda-corpo do parklet. A finalidade em se criar mesas que correm sobre trilhos é dinamizar a ocupação do espaço, possibilitando, por exemplo, abrir o layout para a realização de pequenas apresentações culturais.

Planta genérica dos parklets
Imagem divulgação

Os principais materiais que compõem o parklet são: madeira da espécie cumarú com tratamento de stain para os assentos e encostos do banco. Chapas de aço com pintura automotiva fosca para as floreiras e placas cimentícia de 80x80 no piso.

Peças e montagem dos parklets
Foto divulgação

No parklet localizado na Rua Vitorino Moraes havia a vontade de empregar ladrilhos hidráulicos como forma de permitir grafismos utilizando uma linguagem tradicional e já arraigada na arquitetura vernacular paulista. Os ladrilhos são aplicados como revestimento do piso e floreiras do fundo. Foi utilizado também a madeira da espécie sucupira que possui um padrão mais “bruto” e uniforme, utilizamos réguas de 4m de extensão para os bancos terem um aspecto de tronco.  Neste parklet realizamos um pergolado leve de lona, suportado por pilares tubulares metálicos e cabos de aço. Nas laterais há floreiras de concreto com forma irregular.

Peças e montagem dos parklets
Foto divulgação

No parklet localizado na Rua Salvador Cardoso, o mote inicial foi a tentativa de trazer um pouco de Portugal para a rua. Buscar elementos que lembrem, e que provoquem discretos sorrisos entre os saudosos que visitam o tradicional restaurante português em frente. Partindo desta vontade empregamos azulejos portugueses como revestimento das três floreiras que fazem limite com a rua, e utilizamos cruzetas de madeira aposentadas, que passaram várias décadas em sua função primária. As utilizamos no piso e bancos.

Na Alameda Tietê a ideia foi semelhante à da rua Salvador Cardoso, brincar com a nacionalidade do restaurante patrocinador, que no caso em questão é um bistrô francês. Nos guarda-corpos foram utilizados chapas metálicas perfuradas com padrão personalizado, e pintura com uma tonalidade de azul claro. Para o revestimento dos bancos, parte do piso e ripas do pergolado utilizamos madeira da espécie garapeira, que possui uma tonalidade amarelada clara. Além do revestimento do piso em madeira, utilizamos ladrilhos hidráulicos com um padrão tradicional de três cores. Prevemos floreiras de concreto com trepadeiras da espécie Tumbérgia azul, que possui um rápido crescimento e alta resistência. A intenção era que a trepadeira tomasse o pergolado e criasse uma sombra menos geométrica e mutável.

Na Rua Pais de Araújo, o local do parklet fica em frente a um restaurante de comida italiana, e no momento de conhecimento da área chamou a atenção as toalhas quadriculadas vermelhas nas mesas do restaurante, figura onipresente em restaurantes e casas de vó. A ideia foi criar uma homenagem à banalidade do padrão da toalha, para tanto foi criado padrões em ladrilhos hidráulicos, que simulam e desconstroem o padrão.

Croquis e desenho final dos azulejos
Imagem divulgação

No parklet da rua Oscar Freire trabalhamos com materiais de demolição e materiais naturais, como aço corten, peroba-rosa de demolição, e cruzetas. Neste parklet buscamos a ideia de leveza e acumulo de funções, por exemplo, o encosto que também é guarda-corpo, ou o pergolado que estrutura também os encostos.

Instalação de parklet
Foto divulgação

Aspectos legais

O decreto que permite a instalação de parklets na cidade de São Paulo data de abril de 2014, ou seja, é bastante recente como lei, e quanto à percepção urbana. E ainda assim, pode-se considerar que a cidade tem se apropriado de maneira muito positiva dos parklets existentes.

Todo projeto de parklet deve ser submetido à aprovação na subprefeitura em que se pretende instalar o mesmo. A prefeitura disponibiliza um manual de instalação (2) no qual consta os pré-requisitos necessários para se obter a aprovação no órgão, e como o projeto deve ser apresentado. No entanto, como a aprovação é descentralizada por subprefeituras, não há um padrão unânime entre as mesmas.

notas

1
PRZYBYLSKI, Andrew K.; WEINSTEIN, Netta. Can you connect with me now? How the presence of mobile communication technology influences face-to-face conversation quality <http://spr.sagepub.com/content/early/2012/07/17/0265407512453827>.

2
SP URBANISMO. Manual operacional para implantar um Parklet em São Paulo. Prefeitura de São Paulo, 2014 <http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2014/04/MANUAL_PARKLET_SP.pdf>

sobre o autor

Homã Alvico é arquiteto formado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

comments

183.01 design urbano
abstracts
how to quote

languages

original: português

source

share

183

183.02 edifício cultural

Museu Nacional dos Coches, Lisboa

Paulo Mendes da Rocha

183.03 design

UIA 2020 Rio

183.04 ideia

A marquise do Minhocão

183.05 teoria e projeto

Fábrica de Sal

Rafael Antonio Cunha Perrone

newspaper


© 2000–2020 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided