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projects ISSN 2595-4245


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Habitacional Umuarana, projeto de Luiz Carlos Toledo, com colaboração de Maciel Antônio da Silva, é um projeto de HIS que a equipe da Seinfra desenvolve para o Programa Comunidade Cidade, do Governo do Estado, que objetiva melhorias na favela.

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PORTAL VITRUVIUS. Habitacional Humuarana. Projetado durante a quarentena de combate ao Covid-19. Projetos, São Paulo, ano 20, n. 232.02, Vitruvius, abr. 2020 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/20.232/7721>.


Os primeiros estudos do Habitacional Umuarana foram feitos, ainda na sede da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras – Seinfra, pelo arquiteto Luiz Carlos Toledo e pelo estudante de arquitetura Maciel Antônio da Silva. Com o início da quarentena o projeto foi finalizado remotamente, como convém, principalmente, ao Toledo, um jovem de setenta e seis anos, que há mais de três décadas desenvolve projetos e pesquisas na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, tendo coordenado o Plano Diretor de Desenvolvimento Sócio Espacial da Rocinha, de 2006 a 2008, num escritório instalado dentro da favela. Maciel, com vinte e quatro anos, cursa o nono período da Faculdade de Arquitetura da PUC-Rio, mora na favela e participa ativamente do movimento A Rocinha Resiste e do Curso A Rocinha que Queremos, criado em 2018, com o objetivo de manter o Plano Diretor sempre atualizado.

O Habitacional Umuarana é um dos dezoito projetos de HIS que a equipe da Seinfra desenvolve para o Programa Comunidade Cidade, do Governo do Estado, que tem por objetivos principais dotar a favela de saneamento básico, requalificar o tecido viário, alargando ruas e becos, implantar equipamentos urbanos, e construir habitações dignas para os moradores que serão realocados na própria favela em função das obras. Para realizar essas melhorias o programa dispõe de recursos de aproximadamente dois bilhões de reais.

A produção de novas unidades habitacionais na Rocinha é dificultada pela ocupação excessiva do solo, que além de contribuir para a disseminação de inúmeras doenças, reduz drasticamente o número de áreas livres edificáveis, impondo que um terreno com topografia adversa, como o do Habitacional Umuarana, não seja descartado.

O terreno, com aproximadamente 3.150 m², está localizado na vertente do Dois Irmãos, voltada para o Bairro da Gávea, nele foram projetadas quatro edificações, com área total de construção de 5.210 m², e taxa de ocupação de 34%. Os prédios terão quatro pavimentos acima da Estrada da Gávea, e um a baixo, aproveitando a inclinação do terreno. O conjunto terá setenta e quatro apartamentos de dois quartos com 46,5 m² de área útil

Uma, das duas circulações verticais será de uso público até o nível do térreo, interligando a Rua Umuarana, no sopé da encosta, à Estrada da Gávea, vinte metros acima. A decisão de afastar as escadas do corpo das edificações foi tomada para evitar a necessidade de enclausura-las, o que certamente restringiria sua utilização.

O afastamento frontal, em relação à Estrada da Gávea, criou uma praça pública, projetada em dois níveis para acomodar-se à topografia. Abrindo para a praça, previu-se um espaço para pequenos eventos, dotado de sanitários e cozinha, e uma “quitanda”, para a comercialização da produção das hortas que ocuparão boa parte do terreno, transformando-o em uma “rocinha”, lembrança das que, no início do século passado, deram nome à favela.

No mesmo nível foram projetados, compartimentos para medidores, casa de bombas, e depósitos. As cisternas e as caixas d’água ocuparão, respectivamente, a base e o topo das duas torres de cobogós, que envolvem as escadas de acesso aos apartamentos.

O projeto se insere no âmbito da Tecnologia Social, transferindo técnicas de racionalização e otimização dos processos construtivos. No que se refere ao desenvolvimento sócio econômico, contribui para fomentar as cadeias produtivas locais, selecionando materiais de construção de larga utilização na favela, como os tijolos cerâmicos e cobogós, aplicados sem revestimento, de modo a facilitar a absorção da mão de obra local.

Na busca de soluções construtivas e projetuais que impulsionem a criação de postos de trabalho na favela, há que se ter o cuidado de não colocar em segundo plano a introdução de métodos construtivos de maior produtividade e menos desperdício, aliando processos tradicionais praticados pelos moradores, a processos de pré-fabricação e montagem que possam acelerar a execução das obras e reduzir os impactos ao meio ambiente.

Com esse objetivo foi projetado um painel modulado, de estrutura metálica reunindo, numa única peça, os basculantes da sala, da área de serviço e a porta de entrada dos apartamentos. O painel será montado na própria Rocinha por um pool de serralheiros que também poderão ser mobilizados na fabricação das pérgolas metálicas projetadas nas coberturas, com o duplo objetivo de melhorar o conforto térmico, e servir de suporte às placas eletro voltaicas. Outra medida em prol do meio ambiente será a captação das águas pluviais para a irrigação das hortas e o reuso das águas servidas na limpeza das edificações.

Para uma população abandonada a sua própria sorte que, diante da inoperância do setor público, tomou a si a tarefa de enfrentar a questão da moradia, será importante que as habitações do Programa Comunidade Cidade venham a se tornar referência de uma arquitetura comprometida com a qualidade e durabilidade das edificações, com a organização e o correto dimensionamento dos compartimentos, com a sua insolação, ventilação e acessibilidade, entre os muitos benefícios que a boa arquitetura proporciona.

ficha técnica

projeto
Habitacional Umuarama, desenvolvido para o Programa Comunidade Cidade na Favela da Rocinha.

arquitetura
Arquiteto Luiz Carlos Toledo
Estagiário Maciel Antônio da Silva

local
Rocinha, Rio de Janeiro, Brasil

ano
2020

área total de construção
5.210 m²

área do terreno
3.150 m²

taxa de ocupação
34%

sobre os autores

Luiz Carlos Toledo, arquiteto, mestre e doutor pelo Proarq UFRJ, diretor da Mayerhofer & Toledo Arquitetura, autor do Plano Diretor Sócio-Espacial da Rocinha (2006) e diretor da Casa de Estudos Urbanos. Recebeu do IAB-RJ o título de Arquiteto do Ano em 2009.

Maciel Antônio da Silva é estudante da Faculdade de Arquitetura da PUC-Rio.

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232.02 habitação de interesse social
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