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ESPALLARGAS GIMENEZ, Luis. Balanço da arquitetura moderna no século XX. Resenhas Online, São Paulo, ano 03, n. 033.01, Vitruvius, set. 2004 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/03.033/3179>.


As obras de história mais conhecidas que compilaram arquitetura moderna para divulgá-la, ensiná-la, explicá-la e, principalmente, com as quais se procurou legitimar a arquitetura moderna, são hoje, elas mesmas, material de estudo e reflexão: textos datados onde se pode desvelar diferentes idéias de arquitetura moderna e diversas matrizes interpretativas desta produção, que digam respeito ao papel da arquitetura, a sua genealogia e encadeamento, a seus personagens e obras e a suas questões com a sociedade, arte, técnica, materiais e indústria. Nikolaus Pevsner (Pioneers of the Modern Movement, 1936); Leonardo Benevolo (Storia dell’architettura moderna, 1960); Sigfried Gideon (Space, Time and Architecture, 1941); Henry Russel Hitchcock (Architecture, Nineteenth and Twentieth Centuries, 1958) e Bruno Zevi (Storia dell‘architettura Moderna, 1950) são os principais autores deste primeiro conjunto de textos focados no fenômeno da arquitetura moderna. Estas obras têm em comum um forte compromisso com a causa moderna e após décadas de suas publicações, tornaram-se anacrônicas, já que a historiografia e a crítica introduziram novas informações, produziram novas interpretações, além de sua surpreendente componente ideológica ter sido alvo favorito de contestação por parte de todas avaliações posteriores.

Algumas décadas depois, Manfredo Tafuri e Francesco Dal Co (Modern Architecture, 1979) e Kenneth Frampton (Modern Architecture a Critical History, 1980) propõem novas e conhecidas interpretações da arquitetura moderna a partir dos correspondentes esquemas: "projeto histórico" e "regionalismo crítico", textos inscritos na fase pós-moderna do século. Nesses mesmos anos (1982), não por acaso, William J. R. Curtis lança a primeira edição de sua história estimulado e animado também pela mesma exigência difundida nestes anos em favor de uma nova história revisada e ampliada. Em sua primeira introdução podemos ler:

"I thought it would be a good thing to strip away myths and to present the complex picture of modern architecture as simply and honestly as possible."

Surge um novo grupo de autores animados para escrever a história definitiva, livre de dogmas, que reintegrasse arquitetos banidos pela indiferença ou pela oposição à Causa, que incorporasse novos documentos e notáveis ensaios parciais e que, finalmente, por intermédio de tão pragmáticos quanto relativistas esquemas de análise alargasse a história até a diversidade de nossos dias. No caso de William J. R. Curtis algumas particularidades, até raras neste tipo de publicações, fazem claras outras intenções. Com uma terceira edição (1996) profundamente revisada onde se introduzem nada menos que sete novos capítulos, está se preparando um livro apto a dar conta da história da arquitetura do século XX.

Mas apesar da visão panorâmica que uma história geral e um século de atividades sugeririam, o texto parece usar, conforme cada capítulo, diferentes lentes de aproximação sobre as obras para nelas deter-se, sobre objetos privilegiados e obrigatórios da interpretação, dando assim consistência e detalhes a suas considerações.

A hipótese de que as condições previstas pelos pioneiros apenas estariam se dando oitenta anos depois e que portanto não estaríamos diante do encerramento de uma etapa moderna mas na verdade diante do possível início de uma nova tradição, surge mais de uma fantasia voluntariosa ou do imperativo em anotar provocativos aforismos e menos das condições históricas que se apresentam.

Independentemente das utopias de William J. R. Curtis, desnecessárias ao cumprimento de um manual histórico, há efetivamente, no livro, uma história completa e satisfatoriamente aprofundada dos principais eventos da arquitetura do século XX, que vão desde os fenômenos sociais, científicos, urbanos e produtivos sem precedentes no final do século XIX até a citação do recentemente inaugurado Museu Guggenheim de Frank Gehry em Bilbao, projeto já apontado por alguns especuladores como o último grande espetáculo arquitetônico do século XX, que seguramente terá suas imagens impressas, com destaque, numa próxima edição secular e ampliada.

Os capítulos do livro evidenciam seu modelo de organização e apresentação. Países e artistas concentram e dirigem um script de índole regionalista na narração dos episódios apresentados ainda segundo uma cronologia geral que permita algum nexo histórico. É assim possível, abrindo-se mão da coesão e da universalidade do movimento moderno, falar de uma arquitetura moderna relativizada e construída segundo as visões não exatamente congruentes de seus principais e insubstituíveis protagonistas e também composta de consistentes e irreprodutíveis experiências locais que mesmo congregadas num fenômeno mundial, entendem-se melhor dentro de suas características particulares e muitas vezes nacionais.

sobre o autorLuis Espallargas Gimenez, arquiteto, é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas

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