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Em seu livro “Designing the Modern City”, Eric Mumford faz um malsucedido contra-ataque à historiografia crítica internacional acerca das implicações do pensamento moderno para as cidades e para o seu correspondente campo de conhecimento.

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JACOB, Priscila. Reescrevendo o urbanismo moderno? Resenhas Online, São Paulo, ano 20, n. 218.04, Vitruvius, fev. 2020 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/20.218/7637>.


Eric Mumford (1958-), norte-americano, é historiador da arquitetura e do urbanismo modernos. Sua formação acadêmica inclui três das mais renomadas universidades norte-americanas: é bacharel em História pela universidade de Harvard; mestre em Arquitetura pelo (Massachusetts Institute of Technology) MIT; e doutor em Arquitetura pela universidade de Princeton. Atualmente, é professor e pesquisador de arquitetura vinculado à Sam Fox School of Design & Visual Arts da universidade de Washington em St. Louis. Os Congressos Internacionais da Arquitetura Moderna (CIAMs) e a obra do arquiteto e urbanista catalão Josep Lluís Sert (1902-1983) são os seus temas de estudo preferidos, algo perceptível em suas publicações: The CIAM Discourse on Urbanism – 1928-1960 (MIT Press, 2000); Josep Lluís Sert: the architect of urban design (Yale University Press, 2008); Defining Urban Design: CIAM Architects and the Formation of a Discipline (Yale University Press, 2009); e The Writings of Josep Lluís Sert (Yale University Press, 2015).

Segundo Eric Mumford, a crítica bem-sucedida que Manfredo Tafuri (1935-1994) fez à arquitetura moderna – especialmente quanto à sua incapacidade de transformação social em prol da classe trabalhadora – acabou por estimular uma enxurrada de críticas semelhantes e desencorajou a publicação de outros tipos de análise sobre o movimento (p. 3). Com Designing the Modern City: urbanism since 1850 (Yale University Press, 2018), sua obra mais recente, Eric Mumford pretendeu contribuir para esse tipo de literatura, ao seu ver, ainda pouco explorada. Trata-se de um livro sobre o urbanismo moderno que busca apresentar, nas palavras do autor, “um registro dos esforços dos planejadores urbanos para moldar a forma urbana ao redor do mundo, desde o século 19, combinando história social, econômica e política com foco em ideias específicas de planejamento e seus resultados construídos” (1).

Apesar da intenção do autor de produzir uma obra internacionalista, de cunho global, os casos apresentados com maior densidade ainda são os comumente privilegiados pela literatura sobre o assunto. A análise de cidades como Paris, Londres, Barcelona e Nova York é muito mais profunda que a de cidades como Brasília, Chandigar, Tóquio e Xangai. A mera inclusão de breves comentários sobre experiências de planejamento urbano fora dos contextos europeu e norte-americano não é suficiente para que a obra seja, de fato, internacionalista. O ideal seria que o autor – um historiador – reconhecesse e assumisse a situação espaço-temporal do seu ponto de vista.

O livro divide-se em oito capítulos. O primeiro capítulo aborda o contexto europeu do surgimento do modernismo no século 19. O segundo capítulo faz o mesmo para o contexto norte-americano, englobando o movimento City Beautiful e suas repercussões internacionais. O terceiro capítulo apresenta, com exemplos de Londres e Nova York, o advento da preocupação com a salubridade das cidades em meados do século 19, expressa por meio tanto das reformas nos códigos de obras quanto do desenvolvimento do modelo da cidade-jardim e do planejamento regional. O quarto capítulo aborda os movimentos vanguardistas das décadas de 1920 e 1930. Neste capítulo, embora ainda prevaleça a análise de cidades da Europa ocidental, o livro aproxima-se mais do internacionalismo pretendido pelo autor. Há um grande destaque para os movimentos soviéticos de rompimento com o paradigma clássico de entendimento da arte bem como para as repercussões internacionais, via Bauhaus, desse novo modo de compreender a arte. É nesse capítulo também que o autor trata dos encontros dos CIAMs que antecederam a Segunda Guerra Mundial, oferecendo pormenores de cada encontro – principalmente das ideias defendidas e criticadas pelos participantes. Certamente, trata-se do capítulo mais desenvolvido do livro: é o que apresenta maior riqueza de detalhes, computando 64 das 352 páginas da obra. Considerando a temática das outras obras do autor, isso não surpreende. Os CIAMs são o seu tema preferido. Ao final do capítulo, Eric Mumford dedica um breve tópico de duas páginas para a modernização e o urbanismo brasileiros da década de 1930. Nele, o autor apresenta o contexto político da Revolução de 1930 e da então busca de uma nova identidade nacional brasileira e sua repercussão para o campo da arquitetura e do urbanismo. O quinto capítulo trata do urbanismo moderno de meados do século 20 nos EUA, no Reino Unido, na Europa continental, na América Latina (México e Brasil) e na Índia (Chandigar). O sexto capítulo valoriza as ideias de Josep Lluís Sert enquanto presidente do CIAM entre 1947-1956 e diretor da Harvard Graduate School of Design entre 1953–1969. Aqui, novamente, o autor valoriza seus temas favoritos: os CIAMs e as contribuições de Josep Lluís Sert para o urbanismo moderno. O sétimo capítulo trata das críticas ao urbanismo moderno na Europa e nos EUA, sem nenhum comentário de outras partes do mundo. O último capítulo, o mais curto de todos (com apenas 16 das 352 páginas) e o menos organizado, apresenta uma série de comentários sobre intervenções urbanas no mundo desde 1950. Merece destaque a atenção dada pelo autor às bem-sucedidas reformas urbanas de Curitiba na década de 1970.

Loteamento Quinta Palatino, Havana, 1954, projeto de Town Planning Associates, arquitetos Paul Lester Wiener e Josep Lluís Sert [Designing the Modern City]

A estrutura do livro não tem uma lógica muito clara para o leitor. Os recortes temporais dos capítulos nem sempre apresentam marcos claramente identificáveis como eventos relevantes. Esse problema fica mais evidente no sexto capítulo, que adota a nomeação de Josep Lluís Sert para a direção da Harvard Graduate School of Design, em 1953, como revolucionária para o planejamento urbano (p. 253). Não há, na obra, nenhum suporte que justifique tal relevância atribuída pelo autor.

Outro problema do livro é que ele não cita a fonte de nenhum dado apresentado. Ao final de cada capítulo, o autor inclui uma lista de obras como leitura complementar (further reading) sobre o tema, mas não há sequer uma única referência bibliográfica ao longo do texto. Assim, o leitor com olhar mais acadêmico fica perdido e pode até mesmo questionar a veracidade do que é dito ali. Como ilustração, o autor menciona que, na década de 1950, Sigfried Giedion (1888-1968) teria escrito, de Harvard, para Oscar Niemeyer (1907-2012) sugerindo que fossem feitas alterações no Plano Piloto de Brasília para torná-lo mais adequado aos pedestres, mas que Juscelino Kubitschek (1902-1976) teria preferido um modelo de cidade que favorecesse o desenvolvimento da indústria automobilística brasileira (p. 242). No entanto, o autor não cita a fonte de onde retirou tal informação. Para a literatura acadêmica, trata-se de um erro que pode comprometer a confiabilidade do texto.

Quanto à narrativa do texto, é bastante linear, muito descritiva e com poucos posicionamentos claros do autor. Não é uma leitura fácil nem agradável. O leitor precisa constantemente decifrar o que o autor quis dizer, já que ele não apresenta claramente a sua visão dos fatos narrados. Apenas na conclusão (de uma página), há uma fraca sinalização do posicionamento do autor e de sua intenção com o livro. Ele acredita que as críticas ferozes feitas o urbanismo moderno tiveram, como efeito colateral indesejável, a descrença no planejamento urbano regional, incentivando o planejamento urbano meramente local e para grupos específicos e privilegiados (p. 333). Essa tese não é ruim e, se tivesse sido mais bem desenvolvida, poderia ter resultado numa obra potencialmente de grande impacto para o campo de conhecimento. No entanto, infelizmente, não é o caso.

nota

1
Tradução livre do texto original: “What is still needed, and which this book provides, is an overall account of the major efforts by designers to shape urban form around the world since the nineteenth century, combining social, economic, and political history with a clear focus on specific design ideas and their built outcomes” (p. 3).

sobre a autora

Priscila Pimentel Jacob é arquiteta (UniCEUB, 2010), graduada em Letras (UnB, 2010), especialista em Análise Ambiental e Desenvolvimento Sustentável (UniCEUB, 2014) e mestre em Desenvolvimento Sustentável (CDS/UnB, 2017).

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