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architexts ISSN 1809-6298


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GUERRA, Abilio. Arquitetura e Estado no Brasil. Arquitextos, São Paulo, ano 06, n. 064.00, Vitruvius, set. 2005 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.064/420>.

A relação umbilical entre arquitetura moderna e a ação estatal tem uma longa tradição no Brasil, que remonta a 1930, quando o governo revolucionário de Getúlio Vargas submete as oligarquias regionais com um Estado Nacional forte e onipresente, inspirado no ideário fascista italiano. A figura de um ditador rígido e benigno – o “pai dos pobres” – é uma construção histórica que retrata a hegemonia do político sobre a economia, arte, cultura, etc.

A arquitetura realizada desde então foi condicionada por interesses contraditórios de governos discricionários e, não raro, antidemocráticos, com o engajamento voluntário de profissionais com visão social e boa formação intelectual. A arquitetura resultante reflete a ambigüidade de visões de mundo distintas em convívio forçado: de um lado, a conhecida arquitetura moderna brasileira, de forma elegante e arbitrária, voltada para a confirmação de um imaginário nacional fundado na delicadeza e sensualidade de um povo miscigenado e pacífico; do outro, relevante pela disseminação no território nacional, as soluções estandartizadas para suprir necessidades em setores estratégicos.

As escolas aqui presentes são parte de dois recentes programas distintos existentes em São Paulo – FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), governo estadual Geraldo Alckmin, do Partido Social-Democrata Brasileiro, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; e CEU (Centro Educacional Unificado), governo municipal de Marta Suplicy, do Partido dos Trabalhadores, do atual presidente Lula – e participam de uma genealogia que inclui programas mais antigos: o CIEP (Centro Integrado de Ensino Profissionalizante), projeto de Niemeyer para o Estado do Rio de Janeiro, governado na ocasião pelo político populista de esquerda Leonel Brizola; e o CIAC (Centro Integrado de Ensino), projeto do arquiteto Lelé para o presidente Fernando Collor de Mello, populista de direita, cassado por corrupção.

O exemplo na área educacional se repete nas diversas outras áreas de atuação do Estado, como habitação, educação, saúde, comunicação, transporte, etc. É um estigma que se perpetua, mesmo depois da redemocratização de 1984, após duas décadas de regime militar: políticos de orientações diversas convocando os melhores arquitetos brasileiros para projetos de relevância social, mas com o intuito de promoção pessoal e/ou partidária. A prioridade dada ao aspecto publicitário explica a escolha de siglas marcantes e o descompasso entre a excelência do projeto arquitetônico e a precariedade de sua execução.

Com o vertiginoso processo de urbanização nas décadas recentes, um enorme contingente de excluídos passa a habitar áreas precárias, condicionando novas ações públicas, conformando uma nova série de bons e excelentes projetos, também eles maculados por vícios políticos atávicos.

nota

1
Editorial publicado originalmente no número especial, dedicado ao Brasil, da revista suíça Tracés. GUERRA, Abilio. “Un mariage à la brésilienne / éditorial“. Lausanne, Tracés – Bulletin technique de la suisse romande, n° 15/16, ano 131, 17 ago. 2005, p. 5. O artigo de Renato Anelli, presente no volume, já foi publicado em Vitruvius. As partes deste número são os seguintes:

 

GUERRA, Abilio. "Arquitetura e Estado no Brasil / editorial". Arquitextos nº 64. São Paulo, Portal Vitruvius, set. 2005

 

OLIVEIRA, Olivia de; BUTIKOFER, Serge Butikofer. "Uma viagem pela arquitetura brasileira". Arquitextos nº 64.01. São Paulo, Portal Vitruvius, set. 2005

 

ANELLI, Renato. “Centros Educacionais Unificados: arquitetura e educação em São Paulo”. Arquitextos, nº 55.02. São Paulo, Portal Vitruvius, dez. 2004

GIMENEZ, Luis Espallargas. "As quatro escolas do FDE em Campinas". Arquitextos nº 64.02. São Paulo, Portal Vitruvius, set. 2005

 

EKERMAN, Sergio Kopinski. "Um quebra-cabeça chamado Lelé". Arquitextos nº 64.03. São Paulo, Portal Vitruvius, set. 2005

 

SALOMON, Maria Helena Röhe. "Programa Favela-Bairro: construir cidade onde havia casa. O caso de Vila Canoa". Arquitextos, Texto Especial nº 331. São Paulo, Portal Vitruvius, set. 2005

sobre o autor

Abilio Guerra, arquiteto, professor de arquitetura da Universidade Mackenzie, editor do Portal Vitruvius e da Romano Guerra Editora

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